Vereadores recuam e devem revogar aumento de verba hoje
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de março de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Os 67 assessores dos 18 vereadores de Londrina deverão continuar a dividir os R$ 4,3 mil destinados mensalmente a cada gabinete. Dezoito dias depois de aprovarem por onze votos a sete o reajuste da verba para o pagamento dos assessores para R$ 6,8 mil, o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), em nome dos cinco membros da Mesa Executiva, anunciou ontem o protocolo de um projeto de resolução que pede a revogação do aumento.
Bonilha reconheceu ontem que o aumento da verba foi uma medida ''impopular''. ''Realmente foi um projeto impopular. A população não estava aceitando o reajuste'', afirmou. Segundo Bonilha, a reação da população é o que motivou o novo projeto que visa revogar o aumento. ''Este projeto (aumento) tem trazido uma certa polêmica à cidade de Londrina e fizemos uma avaliação junto as nossas lideranças, juntos às bases onde atuamos e realmente foi um projeto impopular, então vamos estar apresentando novamente a matéria para que a Câmara possa fazer uma reavaliação'', justificou.
Ontem, durante a entrevista coletiva, Bonilha e Sidney de Souza (PTB) mesmo após terem protocolado o projeto para revogação do aumento defenderam o reajuste da verba de gabinete. ''O projeto que apresentamos aqui é legal, constitucional, então na verdade apresentamos naquele momento porque queríamos qualificar e melhorar os assessores que prestam serviço aqui na Câmara. Há mais de dez anos essa resolução está valendo. Há mais de dez anos que os nossos assessores ganham (dividem os) R$ 4,3 mil'', relatou Bonilha.
O vereador Souza, que em vários momentos interferiu nas respostas do presidente da Casa, chegou a culpar parte da imprensa pela ''falta de informação'' da população que teria gerado a rejeição à medida. ''A população teve uma interpretação equivocada porque faltou informação. Eu prefiro não entrar em detalhes mas vocês acompanham a imprensa. Teve gente que convocou a população aqui estabelecendo uma verdadeira via crucis à Câmara'', reclamou. ''Entendemos que o jornalismo tem que ser feito com uma condição ética, como contador tem que ter a sua ética, e vocês, que cobrem a Câmara todos os dias, que se dão ao trabalho de estarem aqui nos entrevistando, adotam a ética e nos respeitam no que pensamos e falamos. Agora, lamentavelmente, tem gente que não se sujeitou a se sentar em um banco da faculdade e convoca a população para vir à Câmara com informação de que os vereadores terão dinheiro a mais no bolso'', concluiu, se negando a nominar o jornalista a que se referia.
Bonilha não considera o recuo dos vereadores uma derrota e não acredita em desgaste do Legislativo. ''Derrota seria continuar batendo na mesma tecla com tantas coisas para discutirmos em prol da cidade e ficamos sem ter condições de discutir. Então não é uma derrota em espécie alguma. Isso mostra que a Casa é democrática. Se houve um descontentamento de alguns vereadores e querem rediscutir a matéria, como presidente estou fazendo o meu papel, cumprindo com a minha obrigação.''
O projeto que pede a revogação do aumento da verba de gabinete deve ser encaminhado hoje à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se for solicitada a urgência, o projeto poderá ser colocado para votação em primeiro turno ainda hoje. Para ser aprovado, o projeto precisa da maioria dos votos em duas discussões. Atualmente, o aumento da verba está suspenso pela Justiça devido uma ação de autoria do Ministério Público (MP). A Câmara está recorrendo da decisão.


