Vereadores rechaçam transporte alternativo
Também ontem, na Câmara, repercutiram mal as declarações do vereador Joel Garcia (PDT) sobre o projeto que estabelece no município, em caso de greve, o transporte alternativo de passageiros - sobretudo por meio de kombis e vans. A informação foi veiculada pela FOLHA, na edição de segunda-feira, e gerou uma espécie de efeito cascata no Legislativo, a contar pelo vereador informado por Garcia como seu coautor, Tito Valle (PMDB).
Em Plenário, Valle chegou a anunciar que ''infelizmente, sem nos ouvir, a imprensa coloca matérias''. Na sequência, disse que não tinha conhecimento do projeto - ainda que, na véspera, tenha falado sobre o assunto a emissoras de rádio e TV. Indagado em coletiva se não sabia do projeto sobre o qual falara, em entrevistas - em uma delas, inclusive, admitira o não protocolo da proposta, mas observara que ela seria paliativa, em caso de paralisação -, o peemedebista declarou: ''O gabinete dele (Garcia) é do lado do meu, mas não o autorizei a falar em meu nome. Se falei, é porque fui procurado pela imprensa''. Se considera o transporte alternativo uma solução viável para a cidade? ''Não é o melhor, mas esse oligopólio de duas empresas tem que ser pensado.''
Já vereadora Sandra Graça (PP), segundo a qual seria uma ''irresponsabilidade'' a aprovação de projeto do gênero, conseguiu a assinatura de outros dez membros do plenário para um protocolo de intenções contrário ao transporte alternativo. No documento, os 11 vereadores assumiram ''publicamente o compromisso de não aprovar nenhum projeto de lei versando sobre a criação de transporte municipal alternativo de passageiros''.
Na avaliação da vereadora, a abertura para o transporte alternativo seria quase uma abertura para a clandestinidade. ''Temos de ter disciplina, regras, horários, não dá para abrir à clandestinidade. Se de fato tiver greve, é o Município que terá de resolver, o que não podemos é ter queda na qualidade de vida do londrinense'', resumiu a vereadora, para quem o projeto ''tumultua os trabalhos da Câmara e fragiliza a Casa''. O pedetista Sebastião Raimundo completou: ''A gente tem muitas experiências (pelo País) de que isso deu errado''.
Enquanto o assunto rendia discussões acaloradas em plenário, fora dele, os repórteres receberam cópia da lei municipal 7.287, de 22 de dezembro de 1997, que atribui o transporte coletivo na cidade privativamente às empresas concessionárias do serviço, sob pena de multas que variam de 1.600 a 3.200 Ufirs. O documento nasceu de um projeto votado pela própria Câmara, sob autoria do então vereador - e hoje assessor de gabinete da Presidência - Salvador Francisco. (J.G.)





