Cerca de 300 servidores municipais lotaram as galerias da Câmara de Vereadores, ontem à tarde, para acompanhar a entrega de um ''plano de negociação'' com o Executivo. A iniciativa partiu do presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, e compreende três pontos-chave de ação: a redução no número de comissionados e de funções gratificadas; a revisão de todos os contratos com empresas terceirizadas; e a revisão ou suspensão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e das demais gratificações concedidas a grupos localizados de servidores.
Um incidente gerou o princípio de tumulto na porta do Legislativo, no início da sessão, quando os seguranças da Casa barraram o acesso do grupo de funcionários - alguns portavam faixas pedindo abertura de negociação salarial. O diretor da Câmara, Rubens Canizares, justificou a medida pela falta de espaço: também ontem, o local seria visitado por alunos de ensino fundamental para o lançamento de um CD, promovido pela Câmara e pelo Rotary, com hinos do País e do Estado. Liberada a entrada inicialmente para 100 manifestantes, a situação se normalizou após a cerimônia.
O presidente do Sindserv insistiu na revisão anual da inflação, ''previsão constitucional infringida pela administração'', e explicou que o sindicato tem estudos técnicos em andamento que comprovariam a possibilidade de caixa ao Executivo. ''Não temos alguns números exatos para finalizar esse levantamento, pois isso seria feito pela comissão de servidores que acompanhariam a evolução da receita (um dos itens da proposta que encerrou a greve de 312 dias, em 2005), mas temos respaldo da Constituição e da Lei de Responsabilidade'', disse o sindicalista, para complementar: ''Essa proposta compacta (entregue aos vereadores) é uma forma de resolver o problema. Se estão acima dos gastos com pessoal, precisam rever e cortar onde dá - não pode é continuar com esse 'trem da alegria' de gratificações a grupos pequenos de servidores. Isso é ilegal e imoral'', reclamou.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), recebeu a proposta de acordo de duas páginas e informou que tentará encaminhá-la ''pessoalmente ao prefeito, o mais rápido possível''.
O controlador da Prefeitura, Sinival Pitaguari, minimizou os gastos com pessoal comissionado - ''são 1% dos gastos com pessoal'', garantiu, sem precisar o número exato de contrados - e deixou novamente para 2007 ''benefícios às demais categorias. Se houver receita para isso, não há por que não o fazer''. (J.G.)

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