A reportagem da FOLHA entrou em contato com os vereadores que estariam envolvidos no suposto esquema de cobrança de propina na Câmara de Londrina, segundo o ex-vereador Orlando Bonilha (PR). Dos 18 vereadores que iniciaram a atual Legislatura, estariam de fora somente Tercílio Turini (PPS), Roberto Kanashiro (PSDB), Paulo Arildo (PPS), Roberto Fu (PDT) e Maria Ângela Santini (PT).
Jamil Janene (PMDB) afirmou desconhecer as declarações de Bonilha, mas que estava tranquilo. ''Nunca caminhei junto dele na Câmara e nunca votei nele para a Presidência da Casa. Em um primeiro momento, temos que apoiar o Ministério Público em suas investigações. Depois, vou procurar os meus direitos sobre tais declarações'', comentou. Sandra Graça (PP) declarou-se surpresa com as acusações. ''Não participo de nenhum esquema. Mais do que as minhas palavras, valem as minhas atitudes na Câmara.''
Marcelo Belinati (PP) foi enfático: ''Nunca tive nenhum tipo de relacionamento com ele, somos de grupos opostos. Existe apenas uma ligação histórica do que aconteceu lá atrás com a cassação do (Antonio) Belinati'', destacou, referindo-se à cassação em 2000 do ex-prefeito e atual deputado estadual, seu tio, que recebeu o ''voto de minerva'' de Bonilha.
O vereador Renato Lemes (PRB) não atendeu às ligações da reportagem; Lourival Germano (PT) estava com o celular desligado. A FOLHA também telefonou para os vereadores afastados Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (sem partido) e Flávio Vedoato (PSC): Araújo e Vedoato não atenderam, e Bergamin disse que estava no distrito de Guaravera (Zona Sul), mas que em função da chuva não conseguiria ouvir as perguntas.
João Dib Abussafi (PPS) - que ocupa a vaga de Osvaldo Bergamin (PMDB) -, rebateu as acusações de Bonilha de que teria intermediado o pagamento de propina de R$ 12 mil feito pelo empresário Nelson Dequêch para aprovar um projeto mudando o zoneamento de um terreno de sua propriedade. ''Não tenho conhecimento nenhum de propina. Eu nem tinha conhecimento de que o Dequêch teria ido à Câmara. Se o Bonilha realmente me acusou, vou processar ele por isso'', finalizou.
O diretor-geral da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), Gildalmo Mendonça, disse estar supreso e apreensivo com as declarações de Bonilha. Sobre o seu relacionamento com os vereadores, Mendonça declarou que conversava com praticamente todos eles, mas nunca houve qualquer menção a pagamento de propina ou mensalidade. ''Eles (os vereadores) solicitavam ônibus para velórios, associações de bairros. Ele (Bonilha) nunca me pediu nenhum tipo de mensalidade. De repente, a pessoa está com a corda no pescoço e começa a dar tiro para todos os lados para ver se põe a corda no pescoço de mais alguém. Nunca tive motivo para pagar mensalidade a vereadores'', afirmou.

mockup