O vereador Aldi Cezar Mertz (PDT), de Maringá, disse ontem que está analisando a possibilidade de pedir a abertura de um procedimento interno na Câmara Municipal para investigar a acusação do Ministério Público (MP) contra o ex-secretário de Fazenda do município, Luiz Antônio Paolicchi, pelo desvio de R$ 2,6 milhões. Objetivo da provável Comissão Especial de Inquérito (CEI) é ‘‘chamar à responsabilidade’’ o prefeito Jairo Gianoto (PSDB) e verificar o nível de envolvimento de servidores com o ex-secretário.
Mertz lamentou a falta de tempo que a Câmara terá para concluir eventuais trabalhos por causa do fim deste mandato. ‘‘O lado positivo é que o MP fez investigações próprias e já tem provas contundentes da corrupção’’, disse o vereador à Folha. Segundo Mertz, a CEI pode ser direcionada para verificar a responsabilidade do chefe do poder público. ‘‘De qualquer forma, o próximo prefeito que entrar terá que obrigatoriamente iniciar uma auditoria nas contas do município’’, ressaltou.
Para o presidente da Câmara, João Alves Correia (PMDB), a acusação contra Paolicchi é ‘‘muito mais uma questão administrativa da prefeitura e caso de polícia’’ do que ponto de partida para providências no Legislativo. Correia disse, no entanto, que irá conversar com a assessoria jurídica da Câmara para analisar se é possível e necessário algum procedimento interno. ‘‘Não conversamos ainda, porque assim como a própria prefeitura, também só ficamos sabemos das acusações contra o Paolicchi através da imprensa.’’
O ex-secretário é acusado de desviar R$ 2,6 milhões da prefeitura e está com os bens bloqueados pela Justiça. Nos últimos anos, Paolicchi juntou um patrimônio considerável que inclui 10 fazendas no Matro Grosso e Mato Grosso do Sul, a Mineradora de Água Rainha, em Iguaraçu (PR), apartamentos, além de quatro veículos e uma aeronave avaliada em R$ 4,9 milhões.
A Folha esteve ontem no Centro Médico e Odontológico Maurílio de Oliveira, localizado na Rua Néo Alves Martins, 3.176, onde funciona uma das quatro empresas do ex-secretário. Segundo funcionários do prédio, há três anos Paolicchi comprou a sala 94, do 9º andar, no valor de R$ 35 mil e abriu a Organização Agropecuária San Marino.
Também neste local, o ex-secretário teria exercitado ‘‘seu lado mais excêntrico’’ e feito uma reforma geral no escritório, com a colocação de granito em todo o piso. Houve inclusive reclamações porque o peso do granito poderia prejudicar a estrutura da sala no andar inferior. Na sala também está a maquete de 2,5 metros quadrados da Mineradora Rainha.

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