A Câmara Municipal de Londrina foi surpreendida com o estudo elaborado por técnicos da Sercomtel e Copel (sócia da telefônica) que aponta a venda (total ou parcial) como única alternativa a médio prazo para a empresa londrinense, conforme revelou o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) em reportagem publicada ontem pela FOLHA.
De maneira geral, os vereadores enfatizam que a Sercomtel "é um patrimônio de Londrina, que leva o nome da cidade para fora", mas, alguns reconhecem que se a inviabilidade financeira da empresa a longo prazo for demonstrada não haveria outra alternativa senão a venda – total ou parcial, ou seja, entregando o controle acionário para uma empresa privada.
Roberto Fú (PDT) afirmou que "quero todos os dados e, se eu for convencido da necessidade de venda, não vou me opor". "A Sercomtel sempre levou o nome de Londrina para o País, mas a dificuldade de se manter no competitivo mercado de telefonia é grande."
Segundo o presidente da Sercomtel, Christian Schneider, a Sercomtel é "saudável economicamente" porque não tem grandes dívidas ou passivos consideráveis, mas, não consegue ter fluxo de caixa, o que significa dizer que seus custos são maiores que suas receitas. Por isso, a telefônica precisa de R$ 7,250 milhões (em dinheiro) até o final de setembro, aporte que deve ser feito pela Copel e Município, que entregaria terrenos avaliados em R$ 8 milhões (somando um aporte de R$ 15 milhões aproximadamente).
A vereadora Lenir de Assis (PT) se preocupa justamente com o aporte financeiro em uma companhia que poderá ser vendida posteriormente. "Precisamos de muitas informações para decidir sobre o futuro da Sercomtel: se a única possibilidade é vender a empresa, devemos colocar dinheiro nela? O município vai recuperar esse valor posteriormente?", disse ela.
A administração sustenta que o aporte (que pode chegar a R$ 30 milhões) é uma maneira de dar sobrevida à Sercomtel, que, sem fluxo de caixa, poderia sofrer intervenção da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Apesar do questionamento, Lenir pondera que talvez a venda seja efetivamente a única alternativa para a companhia. "O prefeito Nedson (Micheleti, PT) já alertou que a Sercomtel não se manteria num mercado competitivo, mas, a opção, àquela época, foi por não vender", disse, referindo-se ao plebiscito que impediu a venda da Sercomtel Celular em 2001 (em 2012 a Fixa e Celular foram fundidas). Em 1998, o ex-prefeito Antonio Belinati já havia vendido 45% das ações da telefônica para a Sercomtel.
O vereador Gerson Araújo (PSDB) acredita que o assunto deve ser discutido "sem paixão". "A Sercomtel é a empresa do nosso coração, mas o assunto deve ser discutido tecnicamente e, talvez, um parceiro estratégico seja a melhor opção. Precisamos de dados claros sobre isso."
Sandra Graça (PP) quer que os servidores de carreira da empresa apresentem um estudo sobre a viabilidade ou não da empresa. "Eles que estão lá neste tempo todo, mantendo a qualidade da empresa apesar das dificuldades. Quero um estudo consistente sobre o assunto."
A prefeitura e a Sercomtel marcaram para esta sexta-feira, às 19 horas, na sede da Associação Comercial (Acil), uma audiência pública para explicar os motivos do aporte e também revelar os detalhes do estudo que aponta a venda como única possibilidade para a empresa. Qualquer interessado pode participar.

mockup