Vereadores querem enganar eleitor
O doutor em filosofia e professor da Universidade Estadual de Londrina, Elve Miguel Cenci, avalia que um dos fatos mais graves acerca da discussão sobre elevar o número de vagas na Câmara é que alguns vereadores têm a clara intenção de enganar o eleitor. ''Pela discussão da última semana, pude perceber que alguns vereadores querem enganar o eleitor e estão jogando esta responsabilidade para o partido, dizendo que vão votar conforme o partido determinou'', revela Cenci. ''São vereadores que querem elevar o número de vagas, mas não vão falar isso abertamente para o eleitor. Política implica responsabilidade pelas ações e assumir o ônus por elas.''
Tanto para Cenci quanto para o cientista político Mário Lepre, os vereadores deveriam respeitar a opinião dos eleitores. ''Acho que eles devem respeitar aquilo que a comunidade está clamando. A sociedade não está autorizando a elevação do número de vereadores e atender ao clamor público é a lógica do sistema democrático'', defende Lepre. ''O vereador que for esperto não vota pelo aumento do número de cadeiras'', sintetiza Cenci. Lepre acrescenta ainda que respeitar a opinião do eleitor neste momento seria uma forma de começar a resgatar a credibilidade do Legislativo.
O presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB), foi procurado na sexta-feira à tarde e ontem para avaliar o resultado da pesquisa, mas não foi localizado.
Despesas
A pesquisa da Alvorada também revelou que o eleitor está preocupado em aumentar as despesas do Legislativo: 69% disseram que pesa mais em sua decisão o aumento das despesas do que o número de parlamentares (24,7%). Porém, mesmo que a despesa anual da Câmara permanecesse a mesma, 68% do entrevistados não concordam com mais cadeiras.
O presidente do Legislativo, Gerson Araújo, tem insistido dizendo que não haverá aumento de gastos. Porém, na verdade, os gastos devem ser sim ampliados, uma vez que além do salário do vereador, há gastos com os assessores, fotocópias, telefone, energia e água. O que não vai aumentar, efetivamente, é o percentual de 4,5% do orçamento do município que é transferido à Câmara. Aliás, se esse índice for extrapolado, cabe responsabilidade criminal tanto ao chefe do Executivo quanto ao Legislativo.
Quando a Câmara não gasta todo o dinheiro repassado pela Prefeitura, deve devolvê-lo e este recurso é utilizado em outros setores da administração.
Entre 1973 e até 2004, a Câmara de Londrina teve 21 cadeiras, mas, devido a uma adequação na Constituição Federal, o número foi reduzido para 18, entre 2005 e 2008. Com o aumento populacional, as vagas subiram para 19 no início desta legislatura, em 2009. (L.C.)





