A bancada de oposição da Câmara dos Vereadores de Curitiba pretende entrar hoje com um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de que o comitê de campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) teria omitido R$ 29,8 milhões na prestação de contas à Justiça Eleitoral na eleição do ano passado.
Reportagem publicada na edição da Folha de São Paulo de anteontem aponta a existência de um livro-caixa manuscrito com gastos muito superiores aos R$ 3,112 milhões declarados ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
O diretório estadual do PMDB divulgou ontem uma cópia dos documentos, onde figuram pagamentos a vereadores e deputados feitos principalmente durante o segundo turno da eleição. De acordo com o livro-caixa, as despesas com produtoras de vídeo, rádio e agência de publicidade foram muito maiores do que o relatado ao TRE. A GW Comunicações, que segundo a prestação de contas oficial teria recebido R$ 652 mil pela produção dos vídeos de campanha, aparece no livro-caixa como tendo captado R$ 4,039 milhões junto ao comitê do PFL.
A movimentação do livro-caixa mostra que algumas empresas teriam sido utilizadas como fachada para legalizar doações anônimas, proibidas pela legislação eleitoral. A fornecedora de refeições Risotolândia teria doado R$ 100 mil para a campanha de Taniguchi, recebendo o mesmo valor apenas três dias depois. O movimento teria o objetivo de ''limpar'' o dinheiro recebido em outras doações. Enquanto a doação da Risotolândia pode ser considerada legal perante ao TRE, o reembolso não declarado é considerado ilegal.
A assessoria da prefeitura e o PFL divulgaram ontem notas oficiais com praticamente o mesmo teor. As notas afirmam que a prestação de contas do comitê foi aprovada sem ressalvas pelo TRE, e que o incidente é apenas uma tentativa de desestabilizar politicamente o prefeito Cassio Taniguchi.
A existência do dossiê já havia sido noticiada pela Folha no último dia 27. Um dia antes, o senador Roberto Requião comentou a existência do dossiê, que ainda não havia sido concluído.
A divulgação do livro-caixa caiu como uma bomba na Câmara dos Vereadores de Curitiba. A bancada de oposição reuniu-se assim que soube do teor da reportagem. O líder da oposição, Paulo Salamuni (PMDB) pretende instalar uma CPI para investigar o caso. ''Estamos perplexos com a gravidade das acusações. Pretendemos apurar até o fim. Caso sejam verídicas as denúncias, a CPI pode resultar no impeachment do prefeito e a cassação do mandato dos vereadores beneficiados ilegalmente'', afirma Salamuni.
A oposição pretendia levar as denúncias ao plenário da Câmara ainda ontem, mas uma manobra dos vereadores governistas impediu a apresentação dos documentos.

mockup