O recesso de um mês no Legislativo londrinense termina hoje, com a realização da primeira sessão ordinária do semestre. Com uma pauta de projetos relativamente fria, ontem dentro e fora dos bastidores os comentários eram de que os próximos meses e, talvez, até anos prometem muita turbulência política.
Diferentemente da primeira metade de 2005, quando alguns projetos foram o motivo de polêmica, agora a crise instalada no governo Nedson Micheleti (PT) dá a tônica do que se pode esperar, sobretudo, no grande expediente das sessões. Desde a semana passada, a Prefeitura está no alvo das atenções políticas por conta da denúncia de caixa 2 na campanha petista pela reeleição, feita pela então assessora financeira do grupo de Nedson, Soraya Garcia.
Alguns parlamentares preferem adotar o discurso da cautela ao tratar dos reflexos que os fatos relativos ao Executivo podem trazer à Câmara. A provável abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), por exemplo, é abertamente descartada até mesmo pela oposição. ''Creio que é prematuro pensar nesse tipo de investigação, mesmo porque a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral já estão apurando essa denúncia'', defendeu o vereador Marcelo Belinati, do PP. ''A partir do que decidirem por lá, sim, a Casa deve se manifestar até porque é algo grave e que merece prudência, pois ainda não se confirmou nada.''
O líder do PTB no Plenário, vereador Luiz Carlos Tamarozzi, admitiu que ''será um semestre totalmente atípico, e talvez nem seja apenas um semestre''. Mesmo que os nomes de apenas alguns parlamentares apareçam como beneficiados pelo suposto caixa 2, Tamarozzi acredita que o Legislativo, como um todo, tenha a imagem afetada. ''Sempre foi assim, dificilmente vê-se a Câmara como apenas um grupo de vereadores''. A posição do petebista é semelhante à do colega do PP, quando o assunto é a tomada de uma posição por parte dos veeradores. ''Agora é a fase de denúncias, e acredito que alguns vereadores trarão informações adiante. A sociedade mesmo tem nos cobrado; mas abrir CEI, por enquanto, é cedo'', finalizou.
Turbulento, o primeiro semestre começou com a repercussão negativa em torno do projeto feito pela Mesa Executiva primeira votação de 2005 que tratava do aumento da verba de gabinete, dos atuais R$ 4,3 mil para R$ 6,8 mil. A medida foi derrubada pela Justiça, em atendimento a ação civil do Ministério Público. Em seguida, o presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), revogou o projeto.

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