Lino Ramos
De Londrina
Parte dos vereadores de Londrina passou o final ‘‘escondendo o jogo’’ sobre o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) para investigar a eventual culpa do prefeito Antonio Belinati (PFL) no caso AMA-Comurb. A aceitação da denúncia protocolada na Câmara em nome de 75 entidades de classe deve ser votada amanhã e depende de maioria simples e quórum mínimo de 11 vereadores.
Alvair Avelino de Souza (PSB) faz parte do grupo que ainda se mostra indeciso e diz ter aproveitado o final de semana para consultar sua base eleitoral. ‘‘Está complicado, pois a situação está bastante difícil’’, resumiu. Sidney Souza (PTB) e Valdemir de Araújo Carneiro (PMN) (antes indecisos) disseram já ter posição mas que só irão revelar o voto na hora da votação.
Jorge Scaff (PSB) também recorreu aos aliados. ‘‘Passei a tarde lendo a papelada e amanhã (hoje) à tarde vou me reunir com o grupo de pessoas que ajudaram a me eleger. A reunião seria na terça mas resolvi antecipar. São pessoas idôneas, não políticas e mais esclarecidas que eu’’, afirmou.
A turbulência política ambém criou dificuldades para encontrar vereadores ontem. Orlando Bonilha (PDT) desligou o telefone – e não voltou a chamar – ao ser questionado se já havia decidido seu voto; oito vereadores não foram localizados. O presidente da Câmara, Renato Araújo (PFL), não retornou a ligação. O advogado do prefeito Belinati, João Alberto Graça, não foi localizado.
Aqueles que durante a tumultuada sessão de quinta-feira declararam o voto favorável à CP não mudaram de posição. A vereadora Elza Correia (PMDB) afirma que sua posição é inabalável. ‘‘Por que não abrir a Comissão Processante? Espero que os vereadores cumpram seu papel sob pena de serem cobrados no futuro. A cidade está vigilante’’. Elza disse que durante o final de semana recebeu diversas ligações de pessoas preocupadas com a votação de amanhã.
O procurador jurídico da Câmara, Zulmar Fachin, não acredita em novidades para a sessão de amanhã pois continuará valendo as orientações dadas na última sessão para que a mesa executiva obedecesse o que dispõe o Decreto-Lei 201/67. ‘‘Evidentemente, se a comissão for constituida, serão seguidas as demais orientações do decreto’’. Em caso de aprovação da CP, a Câmara terá 90 dias para concluir os trabalhos.
Durante o final de semana, as 37 paróquias católicas de Londrina foram orientadas a ler um comunicado assinado pelo arcebispo D. Albano Cavalin, explicando o motivo da Igreja em apoiar a abertura da CP. ‘‘Tivemos uma acolhida calorosa e sincera’’, disse o padre Jorge Pereira de Melo, membro do Conselho de Consultores da Arquidiocese de Londrina. Somente na paróquia Santa Cruz, na zona norte, foram distribuídas 1.500 cópias do comunicado. A estimativa é que o documento fosse lido para uma média de 70 mil fiéis em 37 paróquias.
Ontem de manhã representantes do Movimento Pela Moralidade Pública distribuíram 8 mil folhetos sobre o esquema de corrupção montado em Londrina e que oficialmente desviou R$ 16 milhões.

A favor
1. Carlos Kita (PSDB)
2. Célio Guergoletto (PMDB)
3. Elza Correia (PMDB)
4. Osvaldo Bergamin (PMDB)
5. Beto Scaff (PSDB)
6. Roberto Kanashiro (PSDB)
7. Salvador Francisco (PSB)
8. Tercílio Turini (PSDB)
Indecisos
1. Alvair Avelino (PSB)
2. Jorge Scaff (PSB)
Não revelam
1. Valdemir Carneiro (PMN)
2. Sidney Souza (PTB)
3. Antonio Ursi (PFL)
Não localizados
1. Antenor Ribeiro (PPB)
2. Orlando Bonilha (PDT)
3. Carlos Santa Rosa (PFL)
4. Adalberto Pereira (PFL)
5. Luiz Carlos Tamarozzi (PTB)
6. Flávio Vedoato (PL)
7. Jaci Aguiar (PPB)
SITUAÇÃO ONTEM
A FAVOR
8
INDECISOS
3
NÃO DIVULGAM
3
NÃO LOCALIZADOS
7
OBS. São necessários 11 votos (maioria simples) para a instalação da CP - O vereador Renato Araújo (PPB) não figura entre os votantes porque é presidente da Câmara - A relação entre o placar de sábado e o de ontem foi alterada porque três vereadores que declararam voto a favor da CP não foram encontrados ontem, indo para a última coluna.

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