Vereadores por um dia, alunos 'aprendem' a legislar
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O exercício da democracia não pode ficar restrito ao plano teórico - caso contrário, a representatividade do cidadão pouco se renova e as consequências podem vir a galope nas próximas eleições, com votos que nem sempre comportam grau suficiente de consciência política. Com essa idéia na cabeça e com pré-projetos de lei nas mãos, um grupo de 11 estudantes de Apuracana é quem vai comandar a sessão de hoje na Câmara de Vereadores, em uma espécie de substituição temporária dos 11 edis locais.
A iniciativa integra o projeto batizado de Câmara Estudantil, lançado na Câmara de Apucarana - mas há anos adormecido -, no ano de 2003, em parceria com escolas estaduais e municipais e com entidades da sociedade civil organizada. Durante quase um mês, estudantes dos três anos do Ensino Médio escolhidos pela diretoria da unidade escolar discutem entre si, e na comunidade, assuntos que podem render projetos de lei levados à Câmara. Ao longo do processo, eles próprios confeccionam as matérias que, levadas a votação em sessão dedicada ao projeto, podem render projetos do próprio Legislativo. Vereadores e sobretudo funcionários da Casa subsidiam a equipe, composta basicamente por alunos de 15 a 18 anos.
Aberta à comunidade, a sessão de apresentação das propostas está marcada para hoje às 20 horas, no Plenário. A unidade escolar da vez é o Colégio Estadual Heitor Cavalcanti de Alencar Furtado. Para a diretora do colégio, Silvia Franscisley Morial, o projeto é uma forma de os alunos conhecerem a estrutura e o funcionamento do Legislativo, ao mesmo tempo em que, destaca, isso os desperta para o interesse na vida política de onde vivem.
''Eles viram no próprio bairro onde moram quais as necessidades e as colocaram nos projetos. Isso é válido, pois entendem, simulam o processo, além de contribuir para uma formação mais crítica. Vão votar melhor lá na frente'', aposta.
Segundo a diretora, até mesmo dentro da sala de aula os efeitos da iniciativa têm sido notados. Isso porque, explicou, há debate em torno dos assuntos da comunidade - que vão depois para os projetos - e colocação de pontos de vista divergentes. ''O aluno fica mais atento àquilo que, ou desconhecia, ou só ouvia falar, ou via em teoria'', exemplificou.
Coordenador atual do projeto, o vereador Alcides Ramos Junior (PMDB) salientou que a medida ''é apartidária''. ''Não vai haver jamais alguém que faça comentário político-partidário ou que tente usá-lo de forma política'', garantiu.
O vereador concorda com a diretora em relação ao propósito final. ''É para esses jovens saírem capacitados a votar conscientemente'', justificou, com uma diferença: ''E é também para que se interessem por política no sentido de, por que não, termos aí grandes lideranças futuras''. Segundo Ramos Junior, algumas das propostas dos 11 edis temporários podem inclusive virar matérias da Casa, adiante. ''Temos essa intenção, tanto que uma comissão permanente especial para avaliar essas idéias está sendo criada na Câmara'', comentou.


