A Câmara de Vereadores de Londrina disponibiliza até R$ 205,2 mil por ano para os 19 vereadores usarem com envio de correspondências. O valor foi revelado pela Casa em resposta ao pedido de informação da FOLHA, feito com base na Lei de Acesso à Informação Pública. A reserva de R$ 10.800 por ano para cada gabinete está prevista na portaria 55/2011. De janeiro a junho deste ano, o campeão de gastos é o vereador Antenor Ribeiro (PSC), que em apenas três meses na Casa utilizou 45,72% da sua cota anual de correio. Em abril - mês que ele assumiu o mandato -, foram gastos R$ 1.469,30. E em maio - quando a Comissão Processante da Centronic, da qual o vereador fez parte como membro, foi aprovada -, o gasto saltou para R$ 2.503,40. ''Eu fiquei um tempo afastado do Legislativo, mas possuo um banco de dados de pessoas muito vasto. Eu presto conta a eles, e quando cheguei quis atualizar o que eu tinha feito em outros mandatos e colocar meu gabinete à disposição'', justificou.
Antenor foi vereador em outras quatro legislaturas e assumiu esse ano após a morte do vereador Renato Lemes. ''Quando a CP foi aprovada eu também quis fazer esse trabalho de divulgação da minha participação e acho importante o vereador fazer isso. Creio que nos próximos meses o valor vai cair, porque essa foi uma situação diferente'', defendeu.
Na sequência, vem a vereadora Sandra Graça (PP), que já utilizou 43,52% da cota durante este primeiro semestre, sendo que R$ 2.162,45 do valor total do gasto foi feito somente em março e R$ 1.732,49 em maio. Nos meses restantes, a vereadora gastou em média R$ 201,42. ''Estou há doze anos na Câmara, no terceiro mandato, e meu banco de dados de pessoas foi aumentando. Nós prestamos contas para segmentos, dependendo do projeto que é aprovado. Também envio cartões de felicitações de aniversário para pessoas'', explicou ela, acrescentando que no ano passado teve uma média de gastos semelhante.
Sobre o gasto com os materiais produzidos para envio, ela alegou que ''paga muita coisa do bolso''. ''Se for material comum, de papel, fazemos aqui na Câmara com nossas cotas, mas materiais mais elaborados eu que faço, e as cartas são entregues fechadas para a Câmara, eles só postam e contabilizam.''
O vereador Marcelo Belinati (PP), que está licenciado da Câmara para se dedicar à campanha para a Prefeitura de Londrina, gastou uma média de R$ 168 em janeiro e fevereiro deste ano. Mas, em março, o gasto mais que triplicou (R$ 622,19) e, em abril, saltou para R$ 1.543,52. ''Os meses são diferentes porque às vezes o gabinete faz informativo e manda para mais pessoas. Nos meses que os gastos são menores geralmente é quando nos comunicamos com um setor da sociedade, como taxistas, por exemplo'', explicou.
O pepista afirma ainda que paga ''materiais por fora'' das cotas. ''Nós temos direito a um cartucho de tinta por mês, e muitas vezes a gente compra mais para continuarmos os trabalhos.'' O vereador ressaltou que a cota é importante para o gabinete estar em ''constante comunicação'' com a sociedade.
Em junho, o vereador Rony Alves (PTB) chegou a ser multado pela Justiça Eleitoral local por propaganda eleitoral antecipada, que teria sido feita através de um material enviado para mil residências pelo seu gabinete. Segundo o Ministério Público Eleitoral, nas cartas, o vereador promoveu obras realizadas a seu pedido, sugerindo ao destinatário a necessidade de o parlamentar continuar na Câmara. Já o vereador, que não conseguiu anular a multa ao recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, justificou que apenas ''prestava contas'' de seu mandato para a região Oeste da cidade.
Segundo o procurador da Câmara, Miguel Ângelo Garcia, principalmente nesse período eleitoral, o vereador deve tomar cuidado para ''não usar a instituição para propaganda eleitoral''. ''Ele não pode se promover, nem pedir votos nos materiais enviados pela Casa. Se ele tirar benefícios dos trabalhos realizados no Legislativo isso causa um desequilíbrio com outros candidatos'', explicou.
Questionado pela FOLHA sobre a divulgação desse tipo de gasto, o presidente da Câmara, vereador Gerson Araújo (PSDB), disse que pretende incluir essas despesas no portal da transparência da Casa na internet. ''Creio que cada um pode usar suas cotas como achar melhor. Mas concordo que é importante mostrar esses gastos para a população, já que nossa Câmara é enxuta. Nós não temos cotas de celular, gasolina, como outras Casas'', argumentou.

Interurbano


O campeão de gastos com interurbano é o pepista Marcelo Belinati. Desde o início do ano, o vereador já gastou R$ 932,49 com ligações do tipo. O vereador licenciado disse que, quando faz interurbanos, ''normalmente falo com órgãos governamentais'', sobre assuntos ''de interesse da cidade''. Por ano, cada vereador pode gastar até R$ 3.600 com interurbano. Não há limite de ligações locais.

Fotocópias

A resposta da Câmara em relação às fotocópias não traz valores mensais, somente a média de gasto dos gabinetes. Nesse quesito, os campeões de gastos até agora são, novamente, Antenor Ribeiro e Marcelo Belinati. Em três meses de atuação na Casa, Antenor já fez 13.750 cópias preto e branco, extrapolando a cota mensal máxima de 4 mil. A cota teria sido extrapolada porque documentos da CP da Centronic foram copiados no próprio gabinete do parlamentar. No semestre, Marcelo também ultrapassou o limite de cópias coloridas em 74 unidades - o teto é de 500 cópias no mês.
Eventuais valores excedentes, segundo o diretor da Câmara, Altemir Lopes, serão descontados futuramente do salário do vereador. ''Nós fazemos um controle anual. Se no final do ano ele gastou mais do que podia, terá que pagar do bolso. O valor é descontado do subsídio'', explicou.

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