Vereadores podem cassar mandato de Adelino amanhã
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sábado, 04 de agosto de 2001
Vânia Moreira<BR>De Umuarama 
A Câmara de Mariluz marcou para amanhã a sessão para votar a cassação do padre-prefeito Adelino Gonçalves. Na sessão extraordinária, os vereadores vão votar o relatório da Comissão Processante que investigou denúncias de improbidade administrativa contra ele.
Os três advogados de Adelino, Cláudio Daledone Júnior, Guilherme Levin e Mário Hasmeister, de Curitiba, renunciaram à defesa dele no processo de cassação. Daledone disse ontem por telefone que ele e os colegas desistiram da causa em protesto aos absurdos que a Câmara estaria cometendo para cassar o prefeito. Não queremos mais pactuar com esse tribunal de exceção que quer condená-lo a todo custo, disse.
Segundo Daledone, Adelino comunicou por escrito que não aceitará o advogado nomeado pela Câmara e pediu um prazo para constituir novo defensor, o advogado Germano Bess, de Curitiba, mas a Câmara teria recusado o pedido. O presidente da Câmara, José Roberto de Souza (PFL), e o advogado nomeado José Pento Neto não foram localizados para comentar a informação.
Souza havia atribuído a renúncia a alguma estratégia de defesa e garantiu que isto não prejudicaria a sessão. Depois da renúncia, o advogado é obrigado a atender o cliente por mais 10 dias. Além disso, a Câmara nomeará um outro para fazer a defesa do padre durante a sessão. Durante os trabalhos da Comissão, Daledone apresentou defesa do padre por escrito, alegando que ele não tinha conhecimento dos procedimentos legais e que a culpa pelas irregularidades seria do contador da prefeitura, Ilton de Quadros.
No caso de denúncias de irregularidades adminstrativas, Adelino é acusado de comprar pneus sem licitação e de não recolher o Imposto de Renda sobre os salários de médicos e advogados que contratou. Estes e outros problemas foram apurados numa auditoria encomendada pelo prefeito em exercício, Benedito Oscar dos Santos (PPB). As denúncias foram encaminhadas à Câmara e ao Ministério Público de Cruzeiro do Oeste. O promotor Willian Gil Pinheiro instaurou seis ações civis públicas contra Adelino.
Dia 8 de junho, a Câmara tentou cassar o padre por falta de decoro, mas a sessão foi suspensa pelo Tribunal de Justiça que acatou mandado de segurança impetrado pelos advogados de Adelino alegando não terem sido intimados. O mandado ainda não foi julgado.


