Um grupo de vereadores londrinenses defendeu ontem, na Câmara, a exoneração do secretário municipal de Obras, Luiz Carlos Bracarense (PPS), vice-prefeito do município. O motivo foram as declarações do prefeito Nedson Micheleti (PT) sobre as obras de revitalização do Lago Igapó 2, publicadas ontem na Folha. Na terça-feira, Bracarense foi à Câmara e disse que obra estava orçada em R$ 1,5 milhão. Nedson, no entanto, declarou que estranhava o valor porque o orçamento da obra ainda não foi concluído.
Os problemas começaram no final de maio, quando Bracarense determinou o esvaziamento do Igapó 2, com a jusitificativa de consertar um rompimento na barragem sobre a Avenida Higienópolis. Em seguida, foi verificado um grande volume de lama no local - considerado o cartão postal de Londrina. Até agora o problema não foi solucionado e o lago continua vazio. Ambientalistas têm criticado o projeto e acusado a prefeitura de lentidão nos trabalhos.
''Já dissemos hoje que o secretário de Obras deveria pegar sua mala e cantar em outra freguesia'', atacou em plenário o vereador Sidney de Souza (PTB). Segundo ele, o vice-prefeito determinou o esvaziamento do lago sem laudos ambientais ou um projeto. ''Eu acho que ele merece respeito como engenheiro, mas não tem condições de ser o secretário de Obras'', completou. Flávio Vedoato (PL) também não poupou críticas ao vice-prefeito. ''Eu no lugar dele pediria demissão'', comentou.
Para Elza Correia (PMDB), as informações passadas por Nedson e seu vice estão ''desencontradas''. ''O secretário se dispõe a dar informações precisas sobre o Igapó, mas em seguida é desautorizado pelo prefeito. Isso depõe contra a seriedade da secretaria de Obras'', comentou - citando que o prefeito contestou o valor da obra, não confirmou a data para a conclusão e não confirmou a contrapartida da Sanepar no financiamento do projeto. Elza, porém, não quis entrar no mérito se Bracarense deve ou não ser exonerado.
Já Félix Ribeiro (PPS) considerou o desgaste sofrido pelo vice ''natural'' diante de uma obra polêmica como a do Igapó. Disse ainda que o fato não provoca desgaste na relação PT-PPS. Ele defendeu a permanência do vice-prefeito no cargo. ''É um profissional capaz para conduzir as obras da cidade, tanto que foi escolhido pelo prefeito.''
Nedson Micheleti considerou natural as críticas dirigidas a seu vice, mas afirmou que não compete ao Legislativo interferir na nomeação de secretários. ''Não vou discutir mudanças no secretariado, minha preocupação é que a questão se resolva o quanto antes.'' Sobre o valor da obra, Nedson disse que Bracarense informou à Câmara uma estimativa do custo, mas espera que o preço seja bem menor que R$ 1,5 milhão.
O prefeito disse ainda que está preocupado com o ritmo das obras, mas espera que o trabalho termine em dezembro. Nedson acrescentou que passará a comandar pessoalmente as negociações com a Sanepar, acusada de assorear o lago. ''Não está faltando sintonia (com o vice)'', rebateu.

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