Vereadores negam troca de favores para barrar CP contra Rony e Takahashi
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de abril de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
O Ministério Público iniciou nesta terça-feira (17) as oitivas de pelo menos quatro vereadores suspeitos de favorecimento para impedir a criação de uma CP (Comissão Processante) contra Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV), afastados desde janeiro por conta de possível envolvimento na Operação ZR-3, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). De acordo com o promotor Renato de Lima Castro, os parlamentares teriam sido beneficiados com indicações de conhecidos a cargos do Executivo municipal.

O primeiro a chegar foi José Roque Neto (PR). Acompanhado do advogado Vinícius Borba, ele negou as acusações de que seria contemplado (veja o vídeo abaixo).
João Martins (PSL) seguiu o mesmo raciocínio. Ele descartou a existência de qualquer reunião para a indicação de cargos na Prefeitura de Londrina. Acompanhe o que ele falou:
Jairo Tamura (PR) desconversou quando abordado pela imprensa. Ele reiterou que "o voto para abrir ou não a CP é sigiloso", e, assim como os colegas de Casa, descartou ter sido beneficiado com possíveis indicações.
Suplente de Filipe Barros (PSL), que não participará da sessão desta terça por justamente ser o denunciante, Emanoel Gomes (PRB), o último a depor, observou que, como presidente da executiva municipal da sigla, "nunca foi procurado por Barros para discutir como seria o posicionamento dele na Câmara". Ele permaneceu no Ministério Público por aproximadamente meia hora.
Em entrevista coletiva, o promotor Renato de Lima Castro estranhou o fato das supostas indicações terem acontecido às vésperas da votação da Comissão Processante. Ele confirmou que outros vereadores envolvidos no caso e o próprio prefeito Marcelo Belinati (PP), que teria acatado as sugestões dos parlamentares, serão ouvidos nos próximos dias neste mesmo inquérito.

ZR3
Membro e um dos fundadores do movimento contra a corrupção "Por Amor a Londrina", Auber Silva Pereira, disse que o grupo se reuniu nesta segunda-feira com o MP para solicitar as investigações. "A quem interessa não ir adiante com uma Comissão Processante? É uma ferramenta legítima e transparente", questionou.
Além da suposta troca de favores para barrar a CP, o movimento também fez uma outra representação e apresentou uma lista complementar a Operação ZR3, que investigou o esquema de pagamento de propina para mudança de zoneamento em Londrina. De acordo com ele, a lista foi levantada após trabalho de aproximadamente seis meses e também pode ser objeto de investigação. "A lista tem mais 40 vereadores com nomes de 2008 para cá, que atuavam de modo parecido em relação aos investigados na ZR3", afirmou.
(com informações do repórter Vitor Struck, da Folha de Londrina)
(atualizado às 12h)


