Não se passa mais uma semana sem que a sede do Ministério Público (MP), na Zona Sul de Londrina, receba vereadores - ora na qualidade de indiciados, ora de testemunhas. Ontem pela manhã, três prestaram depoimento no mais novo inquérito instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), dessa vez para apurar o suposto uso de um ''laranja'' em pedido de cassação de parlamentares.
Convidados ''informalmente'', segundo o delegado Alan Flore, estiveram no MP o presidente da Câmara Municipal de Londrina, Sidney de Souza (PTB), o corregedor da Casa, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), e o líder do prefeito no Legislativo, vereador Gláudio de Lima (PT). Os três participaram de uma reunião na sala da Presidência, no dia 25 de março, em que o corretor de automóveis José Pinheiro Filho, o ''Maringá'', teria admitido que assinou, sem saber, uma representação contra oito vereadores.
A representação, embasada na lista de pessoas que teriam recebido propina do empresário Marcelo Caldarelli - caso que rendeu uma ação civil pública apresentada ontem -, foi protocolada no dia 14 e acabou sendo arquivada. Anteontem, Pinheiro Filho entregou ao Gaeco um documento, assinado por ele, em que atesta que os autores da representação foram o ex-vereador Orlando Bonilha (PP) e o advogado deste, Ronaldo Neves.
O documento que ''anula'' o anterior teria surgido na reunião ocorrida na Câmara. Ontem, Souza afirmou que ''ele (o corretor) apresentou a declaração à presidência e a todos que lá estavam'' e que não foi convocado a comparecer. ''Esteve lá como todo e qualquer cidadão londrinense, e fez questão de ir porque ficou sabendo pela imprensa do que tinha acontecido'', disse.
Já o delegado do Gaeco disse que a declaração ''foi feita naquela ocasião, em razão de ele ter se prontificado a formalizar os fatos que estava relatando''. Pinheiro Filho não sabe ler, nem escrever.
Segundo o presidente da Câmara, não teria havido nenhum tipo de coação ao corretor, ''nem quando assinou (a representação), nem no momento em que foi à Câmara''. Flore informou que os depoimentos corroboram isso. ''Ele foi bem incisivo em dizer que gostaria de relatar a verdade e que se prontificou espontaneamente a corrigir o que constava no pedido de cassação'', apontou.
Tamarozzi confirmou que a iniciativa partiu do próprio corretor. ''Ele entrou em contato com a Câmara querendo contar a verdade'', resumiu. Lima contou que participou da reunião porque estava passando pelo corredor naquele momento. Ainda de acordo com o vereador, em nenhum momento o corretor disse ter sido obrigado a assinar qualquer documento. ''Falou que quem havia pedido era o ex-vereador Bonilha.''
Um quarto parlamentar que esteve no encontro, o vereador Tercílio Turini (PPS), também foi convidado a depor ao Gaeco, mas não compareceu alegando compromisso profissional. Ele deverá ser ouvido na semana que vem. Segundo Flore, os vereadores foram convidados a falar ''simplesmente por terem presenciado'' a reunião. Bonilha e Neves também deverão ser chamados a depor.

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