Os vereadores citados no escândalo de corrupção da Câmara Municipal que não obtiveram a reeleição no último domingo culparam a imprensa pelo resultado das urnas. Ontem à tarde, em clima de tristeza, os parlamentares realizaram a primeira sessão ordinária após a renovação dos quadros. Durante os pronunciamentos e entrevistas, também sobraram críticas para os novos vereadores. A palavra derrota foi riscada do dicionário legislativo - e todos eles se disseram ''vencedores''. Os parlamentares também tentaram negar que a renovação representou um julgamento da população sobre a atual legislatura.
Quem abriu a sessão de queixas foi Jamil Janene (PMDB), um dos citados no escândalo da Câmara. ''A imprensa sangrou quase um ano pessoas honestas. A imprensa tem que respeitar nós, vereadores. Eu sou um cidadão, tenho família'', reclamou. O vereador negou que a derrota de quase 70% dos vereadores represente uma condenação política.''Fui vítima do que aconteceu. Saimos de cabeça erguida.'' Jamil também criticou as declarações dos novos vereadores pela imprensa, que pregaram mudança nos costumes legislativos. ''Ao invés de ficar falando mal da gente, deveria trabalhar'', criticou.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), outro dos citados em irregularidades, também evitou a palavra derrota. ''Não me sinto derrotado. O que tivemos foi um universo de candidatos muito maior'', afirmou. Questionado se faria algo diferente durante sua gestão - caso pudesse recomeçá-la -, disse que não mudaria ''em nada''. O vereador também criticou o comportamento da imprensa. Num outro trecho da entrevista, Souza minimizou as denúncias de corrupção e disparou, ao mesmo tempo, contra o ex-vereador Orlando Bonilha e os novos parlamentares. ''A denúncia do cassado apenas dá argumento para os novatos que atacam os vereadores da Casa. Nada mais do que isso.''
O líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT), foi mais contido nas críticas, mas usou de ironias ao se referir à renovação política. ''A renovação às vezes sai pelo contrário. Tomara que em quatro anos a população veja que foi uma boa renovação.'' Ele afirmou que, se pudesse voltar ao início do mandato, ''talvez tivesse sido menos aliado do Bonilha''.
Respeito
O vereador Lourival Germano (PT), que ficou como primeiro suplente, reagiu de forma diferente dos colegas. ''Eu respeito a decisão da sociedade. Os eleitores quiseram renovação e fizeram sua opção. Não tenho ressentimentos'', afirmou. ''Tenho muito orgulho de ter sido vereador, dei o melhor de mim. A política vai perder um cara honesto, mas minha família vai ganhar um pai e um marido mais presente.'' Germano discordou das críticas à imprensa e afirmou que sua derrota talvez tenha relação com a falta de popularidade da gestão Nedson Micheleti (PT) - da qual é aliado.

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