Vereadores intercedem por PMs
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terça-feira, 12 de junho de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Um grupo de vereadores da Associação de Militares Eleitos e Suplentes do Paraná (Amespar), com sede em Maringá, esteve ontem no 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Londrina. O objetivo foi interceder pelas punições a policiais militares que participaram do movimento de esposas que aconteceu em vários municípios do Estado, há cerca de um mês.
O presidente da entidade, cabo José Maria (PSD), vereador em Maringá, alertou para a revolta dos PMs, que ele classificou como um barril de pólvora. Ele estava acompanhado do vereador sargento Fernando (PDT), de Astorga, sargento Danilson (PMDB) e do sargento Almeida, de São Sebastião da Amoreira. Os vereadores foram recebidos pelo comandante do 5º BPM, tenente-coronel Robenson Máximo Fim.
Segundo José Maria, os PMs sofreram duas derrotas depois do protesto das esposas, que reivindicaram o pagamento da gratificação PM Especial para os maridos. A gratificação, segundo as esposas, não é paga desde 1996 e somente os oficiais recebem o benefício. Eles não tiveram o aumento e ainda recebem punição, protestou.
O código disciplinar da PM, acrescentou o vereador, prevê punições por insubordinação, mas não deveria ser aplicado nesse caso específico, pois, segundo ele, foram as esposas que protestaram.
Ainda de acordo com José Maria, os PMs estão sendo pressionados a informar os nomes dos chefes do motim, o que tem gerado revolta. As transferências compulsórias, conforme o vereador, estão acontecendo e têm tumultuado a vida dos policiais e de suas famílias.
Viemos para amenizar. Do jeito que a situação está, se vier à tona vai ser pior do que em Tocantins, alertou José Maria, referindo-se à paralisação que aconteceu no Estado no final do mês passado, quando policiais e mulheres invadiram e acamparam no quartel por mais de dez dias e a segurança na capital acabou ficando sob responsabilidade de tropas do Exército.
As mulheres de PMs, afirmou o cabo-vereador, estão dispostas a parar os quartéis novamente e os policiais podem aderir. Ninguém pode imaginar o que pode acontecer com uma greve de homens armados, comentou. Existem 24 vereadores e dois prefeitos policiais militares eleitos em municípios paranaenses. Mais do que nunca as reclamações dos PMs são nossas, disse José Maria.
A reunião com o comandante foi avaliada como positiva pelos vereadores. Na próxima semana, o grupo deve marcar uma audiência com o comandante-geral da PM, Gilberto Foltran, em Curitiba.
A crise na PM de Londrina se acirrou no dia 15 de maio, quando mulheres de policiais bloquearam o portão de acesso ao 5º Batalhão e impediram a troca de turno da tropa e a entrada e saída de viaturas. Um acampamento foi montado no local durante cinco dias e quatro noites. As mulheres reivindicavam gratificação para soldados, cabos, sargentos e tenentes.
No mesmo dia, no início de uma palestra de motivação profissional, realizada no auditório do Com-Tour Shopping Center, cerca de 350 policiais militares ficaram de costas e vaiaram Máximo Fim, atitude que teria motivado as supostas retaliações no quartel.


