Vereadores ingressam com ação e pedem afastamento de prefeita
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Quatro vereadores de Uraí (26 km a oeste de Cornélio Procópio), protocolaram ontem uma ação popular pedindo o afastamento da prefeita Iracelis da Fonseca Borghi (PDT). Conforme a ação, o afastamento foi solicitado para garantir o andamento da Comissão Especial de Inquérito (CEI) formada para investigar a denúncia de que a prefeita estaria pagando o advogado Alexandre Hauly Camargo com recursos do município para defendê-la em ações particulares.
Segundo o vereador e presidente da CEI, Donizete Ruiz Pinha (PSL), um dos autores da ação, a medida foi tomada porque na última quarta-feira, os vereadores da comissão foram impedidos de copiar documentos no departamento contábil da prefeitura. ''Informamos através de um ofício que iríamos no dia 13 fazer os levantamentos na prefeitura. Pedi para a Polícia Militar me acompanhar, mas quando tive de me ausentar e o outro vereador tirava cópias dos documentos, o vereador e marido da prefeita, Osni Borghi, agrediu o vereador Astrogildo Silva, impedindo de dar continuidade nos trabalhos'', justificou Pinha.
Na ação ajuizada ontem, os vereadores anexaram cópias de empenhos e notas fiscais de serviços pagos pela prefeitura ao escritório de Camargo, Hauly e Prato Advogados Associados. ''É um absurdo, uma vez que está sendo usado dinheiro do município para pagar o advogado defender a prefeita em ações que pedem a devolução do dinheiro público'', afirmou.
O advogado rebateu as informações levantadas pelos vereadores, e atribuiu a denúncia a ''farra política''. ''Eles querem tirar proveito de um abuso que eles cometeram invadindo o poder Executivo sem ordem judicial, tomando a força e levando os documentos da prefeitura'', disse.
Segundo Camargo, os empenhos e notas fiscais se referem a serviços prestados à prefeitura por seu escritório durante o ano passado.
''A minha empresa prestava serviços de assessoria para a prefeitura até janeiro deste ano. Rescindi o contrato e em março passei a ser advogado da prefeita. Embora haja o entendimento que a empresa da qual faço parte poderia continuar a prestar serviços para a prefeitura e eu, pessoa física, poderia atender a prefeita, decidi rescindir o contrato'', disse o advogado.
De acordo com Camargo, ontem foi baixada uma portaria na prefeitura abrindo uma sindicância para apurar o desaparecimento e eventual adulteração de documentos. Pinha afirmou ontem que nenhum documento foi retirado da prefeitura.
O advogado da prefeita ainda solicitou a abertura de uma sindicância na Política Militar para a suspensão dos policiais que acompanharam os vereadores na ação da última quarta-feira.
Ao contrário do que a Folha informou ontem, o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), Nério Spessato Ferreira, negou liminar ao agravo de instrumento ajuizado por Pinha que pedia a revogação do mandato de segurança que paralisou os trabalhos de uma Comissão Processante formada na Câmara.


