A maioria dos vereadores de Londrina é contra a proposta do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para que a Prefeitura assuma a duplicação da PR-445 entre o município e Mauá da Serra. Para 11 deles, a atenção deveria ser concentrada em solucionar os problemas da própria cidade. Já para os oito favoráveis, a redução dos acidentes no trecho e o incentivo para a industrialização local são os principais argumentos que tornam a ideia atrativa.
A proposta de Kireeff prevê um empréstimo de R$ 221 milhões feitos pela própria administração municipal, com prazo de pagamento em 12 anos. Para cobrir os custos, seria construído um pedágio no trecho de 79 quilômetros de extensão, que seria administrado por uma empresa pública municipal – também responsável pela manutenção da rodovia e prestação dos serviços semelhantes a qualquer concessionária de autopistas.
O empréstimo é possível porque o endividamento municipal é baixo: atualmente, o crédito de Londrina passa de R$ 1 bilhão. Legalmente, as administrações podem contrair dívidas até o teto de 120% do orçamento municipal.



O período de concessão do trecho para o município seria de 25 anos. Com um valor aproximado de R$ 5,60, o pedágio bancaria os custos e pagaria o empréstimo em 12 anos. Os outros 13 anos serviriam como fonte de receitas livres do município para investimentos locais. Kireeff afirma que, por enquanto, existem apenas estudos preliminares de viabilidade.
Tanto os vereadores favoráveis quanto os contrários ressaltaram que as opiniões são preliminares, já que não há nada oficial sobre o assunto. Até o momento, Kireeff apenas enviou um ofício de Delegação de Competência ao governo do Estado para consultar a possibilidade de gerir a obra. Antes de ocorrer, seriam necessárias audiências públicas para debater o assunto, que também passaria por discussões na Câmara.
Quem vê a proposta com bons olhos a considera algo "audacioso" são as vereadoras Elza Correia (PMDB) e Sandra Graça (SD). "O administrador público tem que ter competência, compromisso público e ousadia e essa proposta é bem ousada", afirmou a peemedebista. Para ela, a duplicação mostra uma "preocupação a longo prazo pela cidade".
Sandra ressalta que a proposta casa uma receita com um período dobrado em relação ao pagamento do empréstimo. "Sabemos que, historicamente, pedágio é algo rentável", assinalou.
Gaúcho Tamarrado (PDT), entretanto, se diz favorável com uma condição curiosa: ele quer que a praça de cobrança fique fora dos arredores de Londrina para não prejudicar os moradores de distritos rurais. Também considera 25 anos de exploração financeira do trecho um período muito curto. "Tem que ser receita para a vida toda."
Os recursos para a manutenção das condições da rodovia e dos serviços como guincho e ambulância, além de reservas para possíveis demandas judiciais preocupam Mário Takahashi (PV). "Teremos (administração municipal) de contratar mais gente? Vai ter que contratar ambulâncias? Tem lastro para demandas judiciais? Quais os ônus?", questiona. Ele também critica a efetividade dos serviços municipais para a manutenção das vias urbanas. "Nós temos uma usina de asfalto e nossa pavimentação é ruim", aponta, indicando receio quanto aos serviços a serem executados na rodovia.
Ele e Rony Alves (PTB) consideram essencial esgotar todas as cobranças para que o governo do Paraná execute a duplicação, uma vez que a obrigação caberia ao Estado. Lenir de Assis (PT) acompanha essa preocupação. "O Estado tem pendências enormes com a região, são várias as obras que o Beto (Richa, PSDB) não terminou", disse a petista.

Imagem ilustrativa da imagem Vereadores estão receosos com duplicação da PR-445
mockup