Vereadores, empresários e ex-secretários municipais viram réus em ação da Operação ZR3
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Rafael Machado e Guilherme Marconi<br>Grupo Folha 

O juiz da 2ª Vara Criminal de Londrina, Delcio Miranda da Rocha, aceitou nesta segunda-feira (19) a denúncia apresentada pelo Ministério Público na Operação ZR-3, ou Zona Residencial 3, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no final de janeiro. A investigação tem como base possíveis pagamentos ilícitos a agentes públicos para mudanças pontuais de zoneamento em Londrina. Das treze pessoas denunciadas pelos promotores por corrupção ativa, passiva e organização criminosa e outros 12 fatos, todas viraram rés no processo.
Entre os investigados, estão os vereadores Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB), a ex-presidente do Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) na gestão Kireeff, Ignes Dequech, o ex-secretário do Ambiente na mesma administração, Cleuber Brito, o servidor público da Secretaria de Obras Ossamu Kaminagakura e o empresário e membro do CMC (Conselho Municipal da Cidade), Luiz Guilherme Alho considerado lobista do suposto esquema. Todos estão sendo monitorados por tornozeleiras eletrônicas. Ao aceitar o apontamento do MP, o juiz afirmou que as acusações "estão embasadas em vasto material probatório, como as provas advindas da interceptação telefônica captação ambiental e declarações prestadas pelo colaborador e testemunhas".
O magistrado continua dizendo "que os elementos informativos conferem à ação penal uma legitimidade no estabelecimento de indícios razoáveis de materialidade e autoria". Os réus terão 10 dias para apresentar as defesas prévias.
O que dizem os citados:
MARIO TAKAHASHI - vereador afastado
Procurado pela FOLHA, o advogado de Takahashi, Michel Neme Neto, afirmou que irá provar a inocência do parlamentar nos próximos dias. "Vamos juntar documentos e tudo o que foi apurado para tentar uma absolvição. Dependendo do resultado, podemos ingressar até com um pedido de revogação das medidas cautelares", comentou.
LUIZ GUILHERME ALHO - empresário e membro do CMC
De acordo com o advogado Luciano Molina, que atua na defesa de Luiz Guilherme Alho, nesta fase o juiz apenas recebeu a denúncia sem entrar no mérito da causa. "pois se assim o fizesse, estaria pré julgando", escreveu em nota. Ele afirmou que nesta fase da ação penal será dada a defesa a oportunidade de apresentar provas. "Até agora somente a acusação falou e, unicamente, baseada em delação de uma pseudovítima plantada pelos acusadores". Molina também questiona a atuação do MP: "A doutrina veda tais diligências e quem deveria fiscalizar a atuação policial seria o MP. Mas nesse caso o controle externo, previsão constitucional, não será feito, pois os fiscais da lei são os próprios investigadores."
CLEUBER MORAES BRITO - ex-secretário e membro do CMC
De acordo com o advogado Rodrigo Antunes, a defesa irá demostrar que não existe imputação criminosa contra o ex-secretário. Ele classificou a denúncia de "abstrata e genérica". "Ele não foi descrito em qualquer ato de corrupção pelo MP. Antunes irá pedir a exclusão de Brito do processo: "Diante da inexistência de imputação a conduta concreta contra ele"
OSSAMU KAMINAGAKURA - servidor público
A defesa de Ossamu Nakinagakura informou que irá se manifestar apenas na Justiça.
IGNÊS DEQUECH - ex-presidente do IPPUL
O advogado Marcos Ticianelli disse que sua cliente nega a única acusação que pesa contra ela de suposta participação em organização criminosa. "Ela terá a oportunidade de comprovar a inocência, ela nega absolutamente a participação e entendemos que a acusação não tem fundamento neste aspecto".
RONY ALVES - vereador afastado
"Embora seja admitido esse primeiro despacho do Juiz como recebimento da denúncia, na realidade até aqui o Juiz apenas verificou se as condições mínimas de procedibilidade da ação foram atendidas pela acusação, e a única consequência prática é oportunizar ao réu a apresentação de Resposta Escrita. Apenas após serem apresentadas, em decisão que deverá enfrentar as razões da defesa, é proferido despacho recebendo a denúncia. Em termos práticos, esse primeiro despacho seria uma decisão de direito, e a segunda, de fato.", informou em nota o advogado Mauricio Carneiro.
Nesse primeiro momento o Juiz apenas verifica que o que é narrado na denúncia potencialmente corresponderia ou não há um crime, se aquela conduta poderia ter sido realizada pelos acusados. Não há qualquer juízo acerca da veracidade das acusações, embora seja devido, que é preterido para o segundo despacho, que aprecia a resposta e que efetivamente, e como dito, de fato, recebe a denúncia.
HOMERO WAGNER FRONJA - empresário
De acordo com o advogado Nelson Áquila neste momento a linha de defesa será demostrar outras versões dos fatos para interpretação da Justiça. "Vamos arrolar testemunhas, demostrar outros fatos para contrapor a acusação feita pelo MP de corrupção ativa".
Evandir Aquino - assessor parlamentar
De acordo com a defesa, Aquino era apenas um funcionário exercendo o papel dele na Câmara. "Na defesa preliminar é oportunidade que temos de arrolar testemunhas e indicar provas. Não vamos entrar no mérito da acusação apenas demostrar que o que está escrito na denúncia não é verdadeiro", disse o criminalista João Maria Brandão que defende o assessor parlamentar.
BRASIL FILHO e JOSÉ DE LIMA CASTRO NETO - empresários
De acordo como o advogado André Salvador, o Gaeco não comprovou de forma material as acusações de oferecimento de propina ou qualquer benefício conquistado pelos empresários. "Entendo que os indícios são frágeis e a defesa vai provar a inocência dos dois durante a fase processual", afirmou.


