Vereadores em Ourinhos teriam desviado R$ 7 milhões
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segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Sandro Villar <br> Agência Estado 
Presidente Prudente - Um esquema de corrupção, tido como o maior da cidade, desviou, entre 2006 e 2008, mais de R$ 7 milhões da Câmara de Vereadores de Ourinhos (SP). Os acusados pelos desvios são o vereador Osvaldo Barbosa (PSDB) e o ex-vereador e atual suplente José Claudinei Messias (PMDB). Eles praticaram as irregularidades quando eram presidentes da Câmara, segundo o Ministério Público (MP) do Estado. Os dois tiveram a ajuda do contador José Cláudio Ribeiro e de ao menos dez empresas, algumas fantasmas, que emitiam notas fiscais frias, segundo o promotor Adelino Lorenzetti Neto.
''Em 2006, o Messias, que presidia a Câmara, sacou mais de R$ 1,5 milhão na 'boca do caixa' na agência 0327 da Caixa Econômica. No ano seguinte, o presidente era o Barbosa. Ele sacou quase R$ 1,8 milhão e, em 2008, o saque diminuiu. Foi de: R$ 1.087.228,14. Foi menor porque nós, com a ajuda da Polícia Civil, já tínhamos iniciado as investigações'', afirmou o promotor, que já entrou com ação na Justiça. Empresas do esquema, a maioria de informática, fizeram outros depósitos, elevando a quantia desviada. ''Houve depósitos não oficiais, os desvios somam mais de R$ 7 milhões'', explicou.
Ele acrescentou que as empresas emitiam notas fiscais frias e que Barbosa e Messias, com a ajuda do contador, compravam equipamentos de informática sem licitação pública. ''Era lavagem de dinheiro, a maioria das compras era fictícia, as empresas davam notas frias e não entregavam os produtos. Deram notas de mais de R$ 500 mil em uma 'aquisição' em 2008'', acusou, observando que as notas eram emitidas ''para legitimar os saques''.
O contador confessou participação no esquema. Com depressão, está de licença médica desde 2009, renovada a cada três meses. ''É licença entre aspas'', ironizou o promotor, que pediu o afastamento dos acusados de suas funções. A reportagem tentou localizar Barbosa e Messias, mas eles não foram encontrados. Eles e o contador foram notificados e, se condenados, podem pegar até cinco anos de prisão por improbidade administrativa e peculato.


