Vereadores eleitos prometem "mudança de práticas"
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segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
Os vereadores eleitos no último domingo prometem mudar a sistemática de trabalho da Câmara Municipal para resgatar a credibilidade perdida durante a gestão das ''batatas podres'' - alcunha criada pelo ex-vereador Orlando Bonilha para denominar os envolvidos no pior escândalo de corrupção da história do Legislativo londrinense. Os 13 novos vereadores e os seis reeleitos são unânimes em apontar o sentimento de indignação do eleitorado como motor das mudanças promovidas na instituição para a gestão 2009/2012. A renovação atingiu quase 70% da Câmara. Dentre os réus nos processos por corrupção, apenas Renato Lemes (PP) se reelegeu.
''A corrupção que tomou conta da Câmara apareceu de forma muito acintosa nessa última gestão. Ela afundou do ponto de vista político'', disse o vereador eleito Gérson Araújo (PSDB). ''Eu já tinha até deixado a política, mas diante disso, a gente não pode ficar alheio.''
O vereador eleito Eloir Valença (PT) afirmou que após a ''tempestade'' veio a renovação de nomes. ''Entramos como um novo fôlego para sepultar de vez esse tipo de atitude'', disse. O vereador eleito Professor Roni (PTB) ressalta que a instituição não precisa de renovação apenas de noems, ''mas de idéias e paradigmas''.''Londrina merece gente mais preparada, que não achaca empresários e se vende ao executivo', disse.
Para o vereador eleito Tito Vale (PMDB), o eleitorado mostrou que a política do ''toma-lá-dá-cá'' foi totalmente reprovada. ''É uma mudança muito significativa. Nunca houve renovação assim na história de Londrina.''
Para o vereador eleito Joel Garcia (PDT), a mudança deve passar pela independência do Legislativo em relação ao Executivo. ''Não dá para ficar trocando cargo e depois ficar impedido de criticar. Nossa atribuição é legislar e fiscalizar a administração'', resumiu.
Reeleitos
O distanciamento político em relação ao grupo ''contaminado'' pela crise na Câmara é uma das causas da reeleição de seis vereadores - acreditam os próprios parlamentares. O vereador reeleito Roberto Kanashiro (PSDB), presidente da Comissão de Ética, avalia que o crescimento de votos em relação às eleições passadas reflete seu envolvimento na investigação das irregularidades. ''Percebemos essa contrariedade da população com os candidatos envolvidos e apoio ao nosso trabalho.'' Para Marcelo Belinati (PP), o vereador mais votado, a próxima legislatura não pode ser subserviente ao Executivo - como a atual. ''Precisamos mudar essa relação com urgência.''
O vereador Pastor Renato Lemes, que sempre se disse inocente da suspeita de envolvimento em irregularidades na aprovação de lei que beneficiou a boate erótica Shirogohan, atribuiu sua reeleição ao esforço dos voluntários de sua campanha e ''especialmente a Deus''.


