Imagem ilustrativa da imagem Vereadores e servidor atendiam interesses de grupo na Câmara e na Prefeitura
| Foto: Marcos Zanutto



O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) denunciou os 11 investigados na Operação ZR3, que foi deflagrada em Londrina no final de janeiro, para apurar um esquema de mudanças de zoneamentos em terrenos da cidade por meio de pagamentos de propinas com a participação de empresários, vereadores e um servidor público.

Além dos 11 investigados, que passaram a ser monitorados por uma tornozeleira eletrônica, mais dois empresários foram denunciado por pagamentos de vantagens para o servidor público. A dupla já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão no último dia 24 de janeiro.

Segundo o promotor do Gaeco Leandro Antunes, os vereadores Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) chefiavam o esquema e tinham a função de "praticar atos que possibilitavam a mudança do zoneamento, seja com medidas legais, projetos de leis e aprovando as matérias". Já a intermediação entre os particulares e os integrantes do poder público era executada pelo empresário Luiz Guilherme Alho. No Executivo, o papel seria desempenhado pelo servidor afastada da Secretaria de Obras, Ossamu Kaminagakura.

O delegado do Gaeco, Alan Flore, afirmou que não existia um padrão de cobranças e que em cada caso era levado em consideração os interesses econômicos envolvidos.

"Ficou claro que esse grupo estava articulado e incrustado no Executivo e Legislativo para que interesses particulares dos agentes públicos e de pessoas envolvidas fossem atendidos. Os vereadores tinham um papel fundamental dentro da Câmara e da mesma forma o servidor público tinha esse papel dentro do Executivo. Temos alguns particulares trabalhando como lobistas e outros com interesses particulares atendidos, mediante pagamento de vantagem indevida", resumiu Flore.

De acordo com o promotor Leandro Antunes, as medidas cautelares seguem em vigor até a Justiça revogar ou agravar as medidas até nova ordem judicial. A partir da denúncia, os acusados têm prazo de 10 dias para apresentar a defesa.

"Denúncias foram baseadas em interceptações telefônicas, conversas pelo Whatsapp, análise de materiais encontrados nas casas e empresas dos investigados e anotações para pagamento de propinas. A denúncia condensa o material que foi apreendido e analisado durante a operação", afirmou o promotor, que revelou que cinco fatos continuam sendo investigados por necessidade de diligências.

Antunes ainda solicitou o encaminhamento de peças que foram produzidas ao Juizado Especial Criminal, uma vez que foi identificado o crime de advogacia administrativa. O servidor público teria patrocinado interesses particulares junto a administração.

Além disso, foi solicitada o compartilhamento na Justiça de informações e provas para a Promotoria do Patrimônio Público para que a dupla de vereadores seja investigada e, eventualmente, processada. "Cópias também foram enviadas para a prefeitura por causa do servidor e para Câmara que pode tomar providências", acrescentou o promotor.

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