A Divisão de Combate à Corrupção (DCCO) da Polícia Civil de Londrina encerrou nesta quinta-feira (22) o inquérito que investigou o suposto oferecimento de propina dos vereadores Maurício Ricardo Juliani (DEM) e José Carlos Paixão (PTB), presidente afastado da Câmara Municipal de Astorga, e do assessor de comunicação do Legislativo, Fernando Gardin da Costa, a Charles Weslei Gasparino, integrante de uma ONG de fiscalização de agentes públicos. Os três foram indiciados por prometer qualquer vantagem a testemunha, que prevê de três a quatro anos de prisão, além de multa.

Imagem ilustrativa da imagem Vereadores e assessor da Câmara de Astorga são indiciados por suposta oferta de propina
| Foto: Reprodução/Câmara de Astorga

Nenhum deles continua preso. Apenas Paixão e Gardin chegaram a ser detidos pelo Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), mas foram soltos da Casa de Custódia de Maringá dois dias depois. O então presidente da Câmara pagou fiança de R$ 3.992, enquanto o funcionário arcou com quase R$ 3 mil. A decisão que fixou os valores é da juíza de Astorga Paula Andrea Samuel de Oliveira Monteiro. Além de afastar o parlamentar da função, ela o proibiu de acessar os prédios da Câmara e prefeitura e de manter contato com o delator e testemunhas do processo.

Segundo a denúncia, Charles Gasparino assegura que José Paixão teria oferecido um cargo na Câmara para que ele abafasse as queixas. Em troca, receberia em 13 de agosto parte de pouco mais de R$ 1,4 mil como sinal da oferta dada pelos suspeitos. O denunciante do eventual esquema alega ter sido recebido no mesmo dia por Gardin e o presidente afastado no Legislativo, quando eles teriam oferecido a propina. Um vídeo foi gravado e anexado à apuração policial.

Nos interrogatórios, todos negaram qualquer envolvimento no possível plano criminoso. Gardin informou que apenas entregou o dinheiro a Gasparino a pedido de Maurício Juliani, sem saber inclusive o motivo do pagamento. Já José Paixão reiterou que desconhece promessa de cargo na Câmara, alegando ainda ser vítima de um golpe orquestrado pelo delator. O outro vereador também afirmou que "tudo não passou de uma armação".

O delegado titular da DCCO, Thiago Vicentini de Oliveira, ouviu mais três parlamentares de Astorga que foram citados por Juliani como eventuais colaboradores da quantia entregue a Charles Gasparino. Eles negaram participação no caso e, como a Polícia Civil não conseguiu reunir provas, ninguém foi indiciado.

Ao concluir o inquérito, Oliveira escreveu que "os vereadores se valeram da pessoa de Fernando Gardin que, com certeza, sabia da ilegalidade da negociação, considerando a conversa mantida por ele com o noticiante, captada em vídeo, bem como pelas declarações das demais testemunhas, que apontam a parcialidade do assessor com as pessoas dos vereadores investigados".

A FOLHA não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.

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