O presidente da Mesa Executiva da Câmara Municipal, Gerson Araújo (PSDB), admitiu que - mesmo que a Casa recorra quanto ao número de votos necessários para abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Barbosa Neto (PDT) e o vice-prefeito José Joaquim Ribeiro (PSC) - não haverá tempo hábil para esperar a manifestação da Justiça quanto ao caso, e por isso a CP pode ser colocada em votação na próxima semana obedecendo a liminar que muda de dez para treze votos a abertura da investigação.
''Julgamos melhor acatar a decisão do juiz. Essas lutas jurídicas iam acontecer mesmo. Nossa legislação interna previa dez votos, mas baseado no que acontece em nível estadual e nacional o advogado (do prefeito) entrou com esse pedido e o juiz acatou. Cabe a nós aceitar, para não atrapalhar a tramitação da CP'', explicou Araújo.
O objetivo da CP é apurar possíveis irregularidades na contratação da empresa Delmondes & Dias - que recebeu cerca de R$ 303 mil para treinar a Guarda Municipal no ano passado. Pelo Regimento Interno da Casa, seriam necessários dez votos para abrir a CP, que pode resultar na cassação do mandato do prefeito e do vice, mas o advogado de Barbosa Neto, Vicente Marques, entrou com um pedido para que o quórum fosse mudado para dois terços dos vereadores, ou seja, treze votos.
O procurador-geral da Casa, Miguel Ângelo Garcia, explicou que a decisão foi tomada para ''não atrapalhar a tramitação'' da votação pelo Legislativo.
A mudança do quórum dividiu opiniões entre os parlamentares. O vereador Tito Valle (PMDB), por exemplo, que já foi líder do prefeito na Câmara, ressaltou que a liminar somente reconheceu a jurisprudência nacional. ''Eu concordo com a liminar, porque ela entende que, para esse tipo de medida, pela gravidade do resultado, o quórum deve ser maior. Acho que somente veio adequar nossa legislação''.
Já o vereador denunciante, que pediu a abertura da CP na Casa, Joel Garcia, (PTN), alegou que o prefeito ''provocou os vereadores'' pedindo investigações, então ele não deveria ter feito o pedido da liminar. ''Achei estranho. Ele não pediu a abertura de CP, e agora se defende na justiça?'', argumentou.
Rony Alves, um dos integrantes da Mesa Executiva, ponderou sobre a decisão e afirmou que ''é melhor manter os 13 votos'' para que a Câmara não tenha problemas após a votação. ''Se o juiz teve esse entendimento, vamos acatar. Até para que a Câmara não cometa nenhum erro e corra o risco de ter o processo cancelado por um tribunal, é melhor manter esse quórum. Cada um vai votar conforme acha certo e entendendo que esse não é o mérito, não é a cassação, e sim a abertura de uma investigação que dá ao prefeito o direito de se defender'',

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