Vereadores de Foz do Iguaçu devem dobrar seus salários neste mês graças ao pagamento de jetom pelas cinco sessões extraordinárias programadas para a semana. A Câmara Municipal pagará R$ 3 mil de salário para os 21 vereadores, mais R$ 3 mil para quem comparecer em todas as convocações extras. Os pagamentos farão com que os parlamentares passem o Reveillon com R$ 6 mil.

Esta não é a primeira vez que vereadores de Foz são agraciados com jetom. Além da remuneração normal, eles receberam R$ 1,2 mil pelas duas sessões extraordinárias de janeiro, R$ 2,4 mil pelas quatro sessões de fevereiro e R$ 3 mil pelas cinco extras de julho.

A possibidade de dobrar o salário passou a existir depois de uma manobra política feita no ano passado com objetivo de compensar a redução do salário de R$ 4,5 mil para os atuais R$ 3 mil. Durante a antiga legislatura, a gratificação foi reajustada em 552%, subindo de R$ 92 para R$ 600 valor equivalente a mais de três salários mínimos. O abono é pago para cada sessão realizada no recesso parlamentar (de 15 de janeiro a 15 de fevereiro e de 1º a 31 de julho). O jetom deixa de ser pago somente a partir da sexta extraordinária num mesmo mês.

O reajuste do jetom aumentou de forma assustadora as despesas da Câmara Municipal de Foz com as sessões extraordinárias deste ano em relação às realizadas em 2000. No ano passado, a Casa gastou R$ 24.300,00 com a realização de 17 sessões extraordinárias. Neste ano, a estimativa é que o gasto seja de R$ 190 mil. O vereador Chico Brasileiro (PCdoB) foi o único a abdicar do benefício, recusando o recebimento em janeiro.

O adicional também coloca os iguaçuenses numa situação de ''vantagem'' em relação colegas dos maiores municípios do Paraná (Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel). Em nenhum desses municípios, os vereadores recebem jetom. Os parlamentares curitibanos, que também tinham direito ao subsídio, derrubaram a lei por unanimidade no dia 26 de junho.

Os primeiros jetons deste ano causaram polêmica na cidade. O Sindicato dos Servidores Públicos de Foz do Iguaçu (Sismufi) classificiou os pagamentos de ''imorais''. Pressionada, a Mesa Diretora consultou o Tribunal de Contas (TC) do Paraná sobre a legalidade da matéria. Parecer favorável, embasado num artigo da Constituição Federal, manteve a benefício.

Em março, novas manifestações contrárias levaram os membros da Comissão de Legislação, Justiça e Redação a propor a redução do jetom de R$ 600 para R$ 200. A idéia tomava como base o salário (R$ 3 mil), dividido pelos 30 dias do mês, o que daria R$ 100 por dia. Sobre esse valor seria acrescido de 100% de horas-extras pelo serviços durante o recesso. A proposta continua no papel até hoje.

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