Por unanimidade, a Câmara de Londrina derrubou ontem o veto do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) ao projeto de lei que mudava o zoneamento da Rua Rosane Wainberg, no Jardim Nova Esperança (zona sul). Moradores acompanharam a sessão e, à imprensa, relataram que o próprio prefeito reconheceu que o veto foi equivocado porque o bairro tem cerca de mil residências e nenhuma via comercial. Eles se reuniram com Kireeff no começo do mês e na última segunda-feira o prefeito fez uma visita ao bairro.
"O prefeito viu que os moradores seriam prejudicados com o veto. Somos obrigados a fazer compras no Jardim União da Vitória, que fica a mais de quatro quilômetros. Tinha um empresário construindo um pequeno mercado, mas teve que parar porque o zoneamento não permitia", disse o presidente da Associação de Moradores, João Guilherme Alves.
Para vetar o projeto, de autoria de Roberto Fú (PDT), Kireeff fundamentou-se em parecer da Procuradoria-Geral do Município (PGM), que apontou irregularidades como a não realização de relatório de impacto ambiental urbano (Riau) ou de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV); ausência de consulta de viabilidade técnica; de interesse público justificado; de comprovação da necessidade de instalação de pontos comerciais; e ausência de concordância de 80% dos proprietários de terrenos na rua com o zoneamento alterado. Pelo novo projeto de Uso e Ocupação do Solo (integrante do Plano Diretor), que deve ser votado este ano pela Câmara, a Rua Rosane Wainberg já seria transformada em via comercial.
Com a derrubada do veto, o projeto será promulgado pela Câmara e a rua será alterada de zona residencial três para zona comercial seis. O projeto original previa alteração de zoneamento em outras duas vias, mas as mudanças receberam parecer contrário do Conselho Municipal das Cidades. "Vamos continuar lutando para obter essas mudanças", disse Alves. "Nossa preocupação nunca foi a possível valorização dos terrenos, mas sim atender aos moradores", acrescentou o presidente da associação.
Ao ser questionado sobre a valorização das áreas que terão zoneamento comercial, Fú respondeu que "os proprietários também pagarão mais impostos". "Ganham de um lado, mas perdem do outro. E o importante é que o bairro tenha pelo menos uma rua comercial."

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