Os vereadores de Francisco Beltrão, Sudoeste do Paraná, derrubaram na noite da última segunda-feira, por 10 votos contra quatro, o veto do prefeito Guiomar Lopes (PMDB) e aumentaram em 70,6% seus próprios salários. O reajuste, que está sendo encaminhado hoje para o poder Executivo, atinge os vencimentos do presidente da Câmara Municipal, que passa a ganhar 54,7% a mais; o do prefeito, 14%; o do vice, 9,6%; o dos secretários municipais, 35,2%; e do vice-prefeito quando secretário, 9,3%.
O salário dos 15 vereadores do município, que fazem sessões apenas nas noites de segunda e terças-feiras, pula de R$ 1,6 mil para R$ 2,8 mil, retroativo ao último dia 5 de junho. O do presidente da Câmara, de R$ 2,1 mil para R$ 2,8 mil; o do prefeito de R$ 6,8 mil para R$ 7,8 mil; o do vice, de R$ 2,7 mil para R$ 3 mil; o dos secretários municipais, de R$ 2 mil para R$ 2,8 mil; e o do vice cumulado com secretário, de R$ 4,1 mil para R$ 4,5 mil. A decisão da Câmara de Francisco Beltrão é similar à de Campo Mourão, onde também houve aumento salarial.
O vice-prefeito, Arni Hall (PT), disse ontem que nem ele nem o prefeito vão aceitar a decisão e que o reajuste não será pago aos vereadores por falta de dinheiro em caixa. Hall aguardava uma reunião dos secretários municipais, que também estariam dispostos a abrir mão do aumento de 35,2%. ‘‘Vamos consultar primeiro o Tribunal de Contas do Estado, para depois decidirmos se vamos registrar ou não a nossa recusa em cartório’’, ponderou. Ele informou ainda que diversas entidades sindicais e associação de moradores pretendem levar o caso à Justiça.
Autor do substitutivo que engordou os salários, o vereador Jair Link (PPB) afirmou à Folha que os vereadores estão sendo ‘‘vítimas’’ de uma perseguição e que o reajuste está dentro dos limites legais da reforma administrativa. ‘‘Em janeiro de 93, o ex-prefeito João Arruda reajustou os salários dos servidores em 80% e o nosso permaneceu inalterado’’, rebateu. Para Link, a alegação da Prefeitura - de que não tem recursos para pagar o aumento - não procede e que a Câmara consome apenas 2,6% dos 5% a que tem direito a cada exercício orçamentário. (L.D)

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