A Câmara de Vereadores de Campo Mourão derrubou ontem de manhã, por 8 votos a 7, o veto do prefeito Tauillo Tezelli (PSDB), ao projeto que prevê aumento salarial para vereadores (58%), prefeito (73%) e vice-prefeito (1.733%). A sessão extraordinária discutiu apenas o veto e durou pouco mais de uma hora. O público superlotou as pequenas instalações da Câmara e durante toda a reunião houve vaias aos vereadores favoráveis ao aumento. Ao final da sessão, houve ameaças e um rápido manifesto em frente à Câmara. Não havia nenhum policial no local.
Os oito vereadores que votaram pela derrubada do veto foram os mesmos que na semana passada haviam aprovado o projeto. Os dois vereadores que haviam faltado às sessões da aprovação da proposta - Sidnei de Souza Jardim (PSDB) e Maria Verci Ribeiro (PDT) - desta vez compareceram e votaram contra o aumento salarial. Com isso, faltou apenas um voto para que o veto fosse mantido. Com a derrubada, o prefeito Tauillo Tezelli, que é contra a proposta, tem 48 horas para sancionar a lei, com efeito retroativo ao dia 1º de julho.
Tezelli, que já chegou a assinar em cartório um compromisso de não receber o reajuste, já adiantou que não vai sancionar a lei. Com isso, o projeto volta para a Câmara para ser promulgado pelo presidente Edson Battilani (PSDB). Battilani, no entanto, também é contra a medida e não deverá promulgar o aumento. Nesse caso, a Lei Orgânica de Campo Mourão permite que a promulgação seja feita pelo vice-presidente da Câmara, João Alves (PMDB). Alves é um dos principais defensores do reajuste e promete promulgar a lei se for preciso.
A maior parte do público que compareceu à Câmara era servidor público municipal, que está há dois anos sem nenhum reajuste. Eles levaram faixas e cartazes chamando o projeto de imoral. ‘‘Tirem a mão do nosso bolso’’, dizia um cartaz. ‘‘Imoral é ver os menos favorecidos fazendo fila na Câmara de Vereadores atrás de ajuda’’, protestou o vereador Júlio Vieira dos Santos (PDT), um dos favoráveis ao reajuste.
‘‘Todos nós temos profissão e deveríamos discutir nossos salários como profissionais e não como vereadores’’, frisou Sérgio Martinhago (PT), que é contra o reajuste. Já Antônio Verri Mançano (PMDB), que é favorável ao aumento, desafiou os contrários ao reajuste a dizer o que eles vão fazer com o salário reajustado. ‘‘Vocês vão devolver o dinheiro ou embolsá-lo?’, questionou.
Nem a votação nominal intimidou o grupo que defendia o aumento. Com os oito votos, eles mantiveram aprovado o projeto e ganham o direito de receber o salário reajustado já em julho, uma vez que o projeto é retroativo. O salário de um vereador na cidade salta de R$ 1,59 mil para R$ 2,52 mil. O presidente vai receber pouco mais de R$ 3 mil. O salário do prefeito vai de R$ 4,62 mil para R$ 8 mil e o do vice de R$ 138 para R$ 2,52 mil, mas os dois já se comprometeram a devolver o reajuste para os cofres públicos.

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