O projeto de lei que revoga a obrigatoriedade de consulta popular em caso de venda da Sercomtel foi aprovado em primeira discussão no início da noite de ontem pela Câmara de Vereadores.
A proposta de autoria do vereador Renato Araújo (PP) e assinada por outros seis vereadores foi votada em regime de urgência ''em virtude do amplo debate na cidade e da necessidade de se oportunizar ao Executivo posicionar-se sobre seu real interesse quanto à Sercomtel'', diz o requerimento.
As galerias lotadas que acompanharam a discussão do veto parcial do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PPCS) estavam vazias no momento em que o projeto foi levado à discussão. Logo após a votação do veto do PCCS os trabalhos foram suspensos por 20 minutos. No entanto, os vereadores demoraram cerca de 50 minutos para voltarem ao plenário. Durante o período, vários parlamentares se reuniram no gabinete da presidência e em outra sala com o secretário de Governo, Adalberto Pereira.
A discussão do projeto da lei do plebiscito se iniciou oito minutos antes da suspensão dos trabalhos para a sessão solene da entrega do diploma de reconhecimento público ao professor doutor Yuko Miura. ''Não houve bom senso para se aprovar a urgência oito minutos antes da sessão solene, que já estava agendada. Seria o cúmulo do absurdo. Pode ser considerada de má-fé essa atitude, um desrespeito dessa Casa'', contestou a vereadora Sandra Graça (sem partido). A pedido do vereador Tercílio Turini (PPS), a sessão foi suspensa por 60 minutos. ''Precisamos de um tempo para, ao menos, ler o projeto'', argumentou.
Para aprovar a matéria, eram necessárias dez votos. Além de Araújo, votaram pela derrubada da lei do plebiscito Flávio Vedoato (PSC); os petistas Gláudio Renato de Lima, Maria Angela Santini e Lourival Germano; Jamil Janene, Renato Lemes e Orlando Bonilha, do PL; Sidney de Souza (PTB) e os peemedebistas Henrique Barros e Osvaldo Bergamin. Os sete votos contrários foram de Turini, Sandra, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Marcelo Belinati (PP), Paulo Arildo (PPS), Roberto Fú (PDT) e Roberto Kanashiro (PSDB). ''Na segundo discussão, a Sandra, o Tercílio, o Marcelo que estão contra, que convoquem o sindicato (Sinttel), o prefeito, o presidente para que apresentem o quadro'', rebateu Araújo.
Quando o projeto foi efetivamente votado, cerca de 30 funcionários da Sercomtel acompanhavam nas galerias. ''Fiquei aqui e quando vi que iam votar, liguei para todo mundo. Foi uma vergonha o que aconteceu hoje na Câmara. Lançaram o projeto oito minutos antes da solenidade. O pessoal do sindicato já tinha ido embora. Isso não pode acontecer em uma Câmara como a Londrina'', protestou o funcionário da Sercomtel há 21 anos, Ivo de Bassi.
O projeto deve ser discutido em segunda e última discussão na sessão de amanhã. O presidente do diretório muncipal do PMDB, João Mendonça, convocou uma reunião extraordinária hoje para definir o posicionamento dos vereadores da sigla. Na reunião realizada no dia 22 de fevereiro, o partido decidiu votar ''contrariamente à derrubada do plebiscito''.

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