Os projetos que definem o zoneamento urbano e o plano viário, integrantes do Plano Diretor de Londrina, devem ser arquivados na sessão da Câmara da próxima terça-feira. As duas matérias seriam discutidas em audiência pública realizada no sábado, porém, 14 vereadores presentes assinaram requerimento para que os projetos sejam retirados de pauta definitivamente e somente voltem a ser discutidos a partir de 2013, já sob o governo do prefeito eleito Alexandre Kireeff (PSD). Assim, a audiência, prevista para ocorrer ontem e hoje, foi encerrada ao meio-dia de ontem.
  O principal motivo para a decisão dos vereadores são supostas fraudes durante a tramitação do projeto em secretarias municipais em 2010, no governo do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT). O texto aprovado em conferência municipal naquele ano foi modificado em pelo menos 20 artigos.
  O problema foi descoberto por um morador do Jardim Alto do Igapó (Zona Sul) que comparou o texto da conferência com o enviado pelo Executivo. Na época, ele encaminhou denúncia ao Ministério Público e o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, instaurou procedimento para investigar o fato em junho de 2011.
  O presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), Nelson Brandão, assegurou que alterações indevidas não ocorreram no instituto e que o projeto pode ter sido alterado em outros órgãos, como na Secretaria de Governo, que faz o encaminhamento ao prefeito. Ele também garantiu que corrigiu integralmente o projeto e, por isso, o substitutivo que está na Câmara estaria livre de qualquer adulteração. Apesar disso, avaliou positivamente a decisão dos vereadores. ‘‘Diante das suspeitas, o melhor é que o processo seja reiniciado para garantir transparência à população’’, ponderou Brandão.
  Outro motivo para o arquivamento do projeto foi o questionamento de moradores sobre falta de transparência nas discussões e informações incompletas sobre as mudanças. Moradores de oito bairros que formaram o movimento chamado ‘‘Ouve Londrina’’ acompanharam a audiência e comemoraram a decisão. ‘‘A proposta precisa ser melhor esclarecida. Com o arquivamento poderemos participar das novas audiências e propor alterações que não prejudiquem a qualidade de vida das pessoas’’, avaliou Gabriela Fontoura, presidente da Associação de Moradores do Jardim Shangri-lá A (Zona Oeste), bairro no qual a proposta de zoneamento permitiria a construção de prédio e de comércios de maior impacto.
  Até mesmo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Gerson Guariente, que defende a rápida aprovação do novo zoneamento para o desenvovlimento da cidade, considerou o arquivamento do projeto a melhor solução, em razão de possíveis fraudes. ‘‘Só lamentamos que isso não tenha sido feito há dois anos, quando os problemas foram detectados. É mais um motivo para o atraso da aprovação do projeto e significa emperrar o crescimento e desenvolvimento da cidade.’’
  O presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, vereador Joel Garcia (sem partido), autor do requerimento para a audiência, disse que o novo projeto poderá corrigir distorções constantes da proposta autal. ‘‘Há pequenas regiões e até lotes que tiveram um zoneamento específico previsto. Isto não é zoneamento. Parece que foi algo para atender interesses específicos’’, criticou. ‘‘Os moradores que não sabiam o que estava acontecendo poderão ser ouvidos agora.’’
  Com o arquivamento do projeto, todo o conteúdo seria revisto. Apesar disso, o requerimento aprovado pelos vereadores prevê que se ‘‘mantenha a memória dos trabalhos realizados até aqui e proponha a edição de novas propostas pela próxima administração’’. Além disso, os vereadores também recomendaram que o Executivo instaure comissão de sindicância para apurar responsabilidades sobre as alterações indevidas no projeto de zoneamento. Até agora o presidente do Ippul não determinou a abertura de investigação.

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