Maringá - Os 21 vereadores de Maringá estão sendo chamados para prestar depoimentos na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público. Pelo menos 10 deles já peregrinaram entre ontem e anteontem pelo prédio do Ministério Público. Mas, o próprio MP, está mantendo em sigilo a denúncia que obrigou a promotoria a intimar os 21 vereadores da cidade. Por causa desta situação, a sessão de ontem da Câmara de Vereadores foi de lamentação, críticas e até de apelos bíblicos pela atual fase de denúncias.
Na semana passada, o MP protocolou uma ação contra o presidente da Câmara, João Alves Correa (PMDB) e o vereador Devanir Moreno (PST) por corrupção ativa. Um funcionário da Câmara e dois empresários também foram denunciados. Conforme a promotoria, os dois vereadores teriam recebido R$ 150 mil para revogar uma lei municipal que autorizava o tombamento de um prédio histórico para favorecer a compra do terreno e construção de um shopping no local.
Desta vez, os 21 vereadores foram convocados para dar explicações sobre a revogação da lei e também de duas denúncias relatando sobre enriquecimento ilícito, contratação de parentes e esquemas com uma grande empresa da cidade.
A Folha procurou ontem o promotor José Aparecido da Cruz, responsável pela Defesa do Patrimônio Público, mas ele não quis comentar sobre o procedimento investigatório das denúncias. Cruz apenas afirmou que as cartas não são anônimas, como alegam os vereadores.
Segundo o presidente da Casa, João Alves Correa, as cartas estariam assinadas por Otaviano Godoi Schedller e Aquiles Rocha. ''Já pesquisamos (ele e assessoria jurídica da Câmara) e verificamos que estas duas pessoas não existem'', disse Correa. As denúncias, conforme Correa, afirmam que ele tem diversos imóveis em nome de terceiros e que até teria contratado pistoleiros para matar o promotor Cruz. ''Isso é um absurdo'', afirmou Correa, lamentando que ''o prejuízo moral é incalculável''.

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