Vereadores de Maringá aumentam salários de prefeito e secretários
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<BR>Reportagem Local 
A Câmara Municipal de Maringá aprovou ontem, em primeiro turno, por 13 votos a dois, reajuste de salário do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. O aumento deverá custar aproximadamente R$ 730 mil por ano entre 2009 e 2012. A medida passa por segunda votação na sessão de amanhã. Se aprovada, começa a vigorar na próxima legislatura, em janeiro do ano que vem.
Os maiores beneficiados foram os secretários e o vice-prefeito, que tiveram reajuste de 56% - de R$ 4.700 para R$ 7.430. Os vencimentos do prefeito passaram de R$ 11.500 para R$ 15 mil. O impacto financeiro do reajuste dos 20 secretários municipais será de aproximadamente R$ 655 mil anuais.
Na mesma sessão, os vereadores rejeitaram o aumento previsto para seus próprios salários, por 11 votos a quatro. O resultado surpreendeu o próprio presidente da Câmara, John Alves Correa (PMDB), que faz parte do grupo majoritário no Legislativo. Ele disse que chegou à sessão disposto a também aprovar o reajuste para os parlamentares, mas acabou mudando o voto em cima da hora. Os únicos vereadores que votaram contra os dois aumentos foram Mário Verri (PT) e Humberto Henrique (PT).
''Achei uma sacanagem. Nós imaginamos que haveria apenas dois votos contrários porque combinamos antes para votar favorável. Acontece que o projeto é polêmico e no decorrer da sessão alguns quiseram se aproveitar da pressão e posar de santinhos com a comunidade'', disparou o presidente. ''Para não deixar eles fazerem gentileza com nosso chapéu, também votamos contrariamente e derrubamos nosso aumento para o próximo mandato.''
Já o vereador Mário Verri (PT) afirmou que ''Maringá fez uma votação madura''.''Tivemos condição de debater e liberdade para votar. Depois de muito tempo, o resultado não foi aquele determinado pelo prefeito ou pelo presidente da Câmara'', disse.
Verri atribuiu parte da responsabilidade pelo resultado à pressão popular. As galerias da Câmara Municipal ficaram parcialmente ocupadas ontem por estudantes, funcionários públicos, representantes religiosos e população em geral. Na votação em segundo turno do reajuste para o prefeito, vice-prefeito e secretários, Verri pretende apresentar uma emenda visando reduzir o índice à inflação dos últimos quatro anos - de 14%. O vereador petista acredita que a possibilidade de aumento para os vereadores foi ''enterrada'' com o resultado de ontem. A proposta previa reajuste de R$ 5.700 para R$ 7.430 - o equivalente a 60% do vencimento de um deputado estadual.
O chefe de Gabinete da prefeitura, Ulisses Maia, disse que o aumento dos salários do primeiro escalão do Executivo terá impacto reduzido nas contas municipais. ''Apesar do percentual ser alto, o montante não é significativo'', alegou. De acordo com ele, o reajuste é justo porque o prefeito e os secretários ficaram sem recomposição salarial nas duas últimas gestões. ''Os valores estavam bem defasados e há dificuldade em manter os secretários municipais'', afirmou.


