Por 12 votos a 1, a Câmara Municipal de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) aprovou anteontem um projeto de resolução que cria o jetom para os vereadores que participarem de sessões extraordinárias. A proposta foi votada em três sessões realizadas no mesmo dia e deve entrar em vigor amanhã com a publicação em órgão oficial.
‘‘Proporcionalmente, os vereadores de Goioerê têm a pior remuneração da região’’, disse ontem o vereador Walter Fernandes Martins (sem partido), um dos 12 que aprovaram o projeto. Cada vereador do município recebe R$ 1.060,00 mensais. O jetom será de R$ 100,00 por sessão extraordinária, limitado em cinco reuniões por mês.
Martins afirmou que no primeiro semestre deste ano foram realizadas apenas duas convocações extraordinárias e que há o compromisso do presidente da Câmara, Ademir Flor (PMDB), de só convocar reuniões extras em casos excepcionais. A Folha tentou falar ontem à tarde com Flor na Câmara de Vereadores, mas ele estava viajando.
O projeto de resolução aprovado em Goioerê não usa o termo jetom. Ele fala em ‘‘indenização por participação em sessão extraordinária’’. Na mensagem de justificativa da proposta, os 12 vereadores que assinaram o projeto disseram que foram prejudicados pela redução salarial aprovada no final do ano passado por ‘‘fins eleitoreiros’’.
Até 1999, o salário de um vereador de Goioerê era R$ 2.700,00. Por pressão popular, ele caiu para R$ 1.700,00 e, no ano passado, passou para R$ 1.060,00 para quem assumisse em janeiro. ‘‘Fui eleita sabendo quanto iria ganhar. Não há porque mudar isso agora’’, explicou a vereadora Maria Inêz Geraldo (PPS), a única a votar contra o jetom.
Esta não é a primeira vez que a Câmara de Goioerê aprova a criação de jetom. Há pouco mais de dois anos foi aprovado um projeto semelhante, mas a proposta acabou sendo arquivada sem nunca ter sido colocada em prática.

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