Menos de 45 dias depois de ter cassado o prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT), a Câmara de Vereadores pode abrir uma nova Comissão Processante (CP). O vereador Joel Garcia (PP) protocolou na tarde de ontem na Casa um pedido de abertura de CP contra o atual chefe do Executivo, José Joaquim Ribeiro (PSC). O pedido é baseado no depoimento assinado pelo prefeito em exercício no último dia 3 ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e no qual confessa o recebimento de propina para favorecimento de empresas que forneceram uniformes escolares para o município.
O pedido será analisado pela procuradoria jurídica da Câmara que, se aprovar a admissibilidade do requerimento, deve abrir prazo de sete dias para defesa prévia de Ribeiro, antes da votação da CP. ''O prazo para análise da procuradoria é de sete dias, mas devemos analisar até segunda-feira'', explicou o procurador jurídico da Casa, Miguel Ângelo Garcia.
''Baseado no depoimento pedimos a CP. Ele é réu confesso, e a Câmara não pode se omitir'', afirmou o vereador Joel Garcia. Caso a Câmara aceite o trâmite do pedido de cassação, Joel não poderá votar pela abertura da CP, já que é o denunciante. São necessários 13 votos para abrir a investigação, que tem o máximo de 90 dias para decidir se cassa o prefeito ou arquiva o caso. Com os prazos de direito à ampla defesa que a Casa deve dar ao prefeito, o processo não deve acabar antes de 30 dias. Se a Casa cassar Ribeiro, ou ele renunciar ao cargo, o presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB), deve assumir a prefeitura.
Pressão
Ontem, no início da tarde, antes de protocolar o pedido de CP, os vereadores aguardavam um possível pedido de renúncia do prefeito. O presidente da Casa, Gerson Araújo, convocou uma reunião com os vereadores, antes do início dos trabalhos do Legislativo, para que todos discutissem a crise na política londrinense. Após uma rápida conversa, os vereadores criaram uma ''Comissão Gabinete de Crise'' - formada por Joel Garcia, Rony Alves (PTB), Padre Roque (PR) e Ivo de Bassi (PTB). O grupo, e mais o procurador da Câmara, foram à prefeitura para conversar com o chefe do Executivo. O prefeito não estava no gabinete, e a coordenadora do Núcleo de Comunicação da prefeitura, Célia Baroni, informou que Ribeiro estava em casa, ''muito abalado com os acontecimentos''.
Os cinco vereadores então voltaram à Câmara, mas o caso Ribeiro dominou a pauta da Casa ao longo da tarde. O vereador Antenor Ribeiro (PSC) iniciou a série de discursos, renunciando oficialmente à cadeira de líder do Executivo, alegando que não podia ''ser conivente'' com os acontecimentos. Quase todos os vereadores se manifestaram na sequência, a maioria pedindo a renúncia de Ribeiro - somente Rodrigo Gouvêa (PTC), Jairo Tamura (PSB), Marcos da Horta (PP), Padre Roque e Roberto da Farmácia do Vivi (PTC) não se manifestaram publicamente sobre o assunto.
O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) também protocolou ontem na Câmara um pedido de abertura de processo de cassação do prefeito, citando as matérias publicadas pela Folha de Londrina sobre as investigações do Gaeco. O documento, porém, não deve tramitar na Casa, já que ele não especificava qual a irregularidade cometida pelo prefeito.

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