A Câmara de Vereadores de Londrina reiniciou ontem o período legislativo com ‘broncas’ em relação ao prefeito Antonio Belinati (PDT). Vereadores da situação e da oposição reclamaram da falta de atendimento de projetos, do veto a algumas matérias e também do silêncio do Executivo sobre projetos que não receberam nem sanção nem veto de Belinati.
Um dos exemplos é o projeto do vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PL) que cria a Coordenadoria Especial do Dependente Químico (Cedeq). Ele disse ter ficado ‘‘surpreso e decepcionado’’ com o silêncio do Executivo e pretende pedir a revogação da lei, que acabou promulgada pela Câmara. ‘‘Como o Executivo não se interessou, isso significa que ela dificilmente vá sair do papel e eu não quero que seja mais uma lei esquecida’’, argumenta.
O atendimento às necessidades dos dependentes químicos foi inclusive um dos compromissos assumidos pelo prefeito para que Tamarozzi, que pertencia ao bloco de oposição na Câmara, aderisse ao seu grupo de sustentação. ‘‘Posso até rever minha posição’’, ameaça Tamarozzi. Outro descontente é o vereador Valdemir Araújo Carneiro (PMN), autor do projeto que instituiu o programa de uso e aproveitamento de terrenos baldios. Como o Executivo também não se manifestou, o projeto foi promulgado pela Câmara. ‘‘Sem a sanção do Executivo, o projeto perde a força e a gente fica na dúvida se ele realmente vai ser colocado em prática. Isso nos entristece, principalmente porque a matéria foi aprovada na Câmara por unanimidade’’.
O petista Antônio Ursi também está insatisfeito com o Executivo. ‘‘Três projetos meus foram vetados, sendo dois deles de interesse de associações de moradores. Acho que a única forma de rever é botando o povo para reclamar no gabinete do prefeito’’, incentiva Ursi.
O líder do prefeito na Câmara, Renato Araújo (PPB), pediu ‘calma’ ao grupo e prometeu conversar com Belinati. O prefeito disse ontem à Folha que tem compromisso de ajudar a causa dos dependentes de álcool. ‘‘Não sei o que houve por parte da assessoria técnica, mas vamos carregar essa bandeira junto com o vereador’’, prometeu.
De acordo com a Câmara, o Executivo vetou desde o início do ano 26 projetos de lei. Destes, 16 estão em tramitação e outros dez foram transformados em lei, ou seja, tiveram o veto derrubado pela Câmara. (P.Z.)

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