Quase metade da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de ontem foi dedicada ao debate sobre a paralisação dos servidores municipais. A maioria dos vereadores que utilizaram a tribuna criticou o decreto do prefeito Nedson Micheleti (PT), que determinou sem nenhuma negociação com os servidores o desconto de até oito dias e a compensação de 23 dias com horas extras.
''Encontrei um prefeito magoado, com ódio, muito rancor. Acho que o prefeito não tinha condições de tomar decisões ontem. Quando chegamos lá, o prefeito disse que já havia tomado sua decisão no dia anterior'', avaliou o vereador Tercílio Turini (PSDB), se referindo à reunião realizada quarta-feira. ''Me senti extremamente desconfortável. Achei que era brincadeira. Acho que não existe precedente jurídico em que o servidor teve que repor e pagar os finais de semana. Temo pelas consequências deste ato em um momento que tem que baixar a poeira.''
''Essa avaliação tem que ser política e não passional. Não tenho essa avaliação. (Nedson) estava tranquilo. Não podemos dizer que agiu intempestivamente'', defendeu o líder do prefeito na Câmara, Gláudio de Lima (PT).
A vereadora do PDT, Sandra Graça, chegou a levantar a hipótese de que uma servidora estaria sofrendo perseguição por ter aderido à greve. ''Uma servidora me procurou e disse que hoje (ontem) recebeu um telefonema em que foi convocada a comparecer à Vila da Saúde. Pediram que ela assinasse um documento em que comunicava que tinha perdido o cargo no Programa Saúde da Família (PSF) e transferida para o Unimos (Unidade Móvel de Saúde). Ela foi informada que não tinha o perfil de atendimento ao público'', relatou. ''Me parece extremamente vinculado ao processo de greve. Ela participou do movimento'', disse.
O secretário de Saúde, Sílvio Fernandes, não foi localizado para comentar o caso. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, ''o prefeito não deu nenhuma orientação para que os servidores fossem retaliados, ao contrário, a orientação é que sejam respeitados''. (C.O.)

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