Repercutiram mal, ontem, na Câmara de Vereadores de Londrina, as declarações do prefeito Barbosa Neto (PDT) à imprensa sobre os trabalhos da Comissão Especial de Investigação (CEI) que estuda a planilha do transporte coletivo. Anteontem, na primeira coletiva após viagem de dez dias à Europa, Barbosa insinuou que parlamentares estariam ''jogando para a torcida'' ao defenderem o preço de R$ 1,99 para tarifa, ou mesmo agindo de forma ''irresponsável'' ao apoiarem eventual rompimento de contrato com as empresas que exploram o serviço na cidade, Grande Londrina e Francovig. A medida mais drástica, por sinal, foi colocada anteontem de manhã justamente pelo líder de Barbosa na Câmara, Joel Garcia, segundo o qual será proposta não só a ruptura, no relatório final, como também o pedido de indiciamento de ex-gestores da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Vereadores ouvidos pela FOLHA na sessão de ontem criticaram as declarações do prefeito. No relatório parcial divulgado segunda, por exemplo, a comissão sustentou, com base em notas fiscais e outros documentos - entre os quais o edital de licitação de 2003 -, que há indícios de superfaturamento na planilha vigente, de janeiro de 2006. ''Quem está jogando para a torcida e para os empresários é o prefeito, não a CEI. Quanto a não ser 'papel da Câmara definir tarifa' (como colocara Barbosa, na véspera), é papel da Câmara fiscalizar não só o Executivo, como também o serviço público'', afirmou Tito Valle (PMDB), membro da CEI.
Para o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), ''a CEI é soberana''. ''Foram meses de trabalho, com levantamento de documentações e depoimentos, e tudo dentro do que prevê o regimento da Casa. Quando se jogam essas declarações, tumultua-se algo que é legítimo na função parlamentar'', afirmou. Se a posição de Barbosa afeta o diálogo entre os dois poderes? ''Acredito que não. Mas quantas vezes o prefeito se sentou com seu líder para discutir projetos?'', indagou.
Garcia respondeu que, desde que assumiu a liderança do Executivo, em maio, em nenhum momento discutiu projetos com o partidário - apenas com o secretário de Governo, José do Carmo Garcia. ''O Barbosa cada vez mais tem se afastado da Câmara - e isso depende mais dele que de mim, pois nem mesmo a bancada do PDT conseguiu se reunir com o prefeito. E os vereadores, como um todo, estão aí dispostos a conversar com o Executivo'', afirmou. Garcia minimizou as declarações do pedetista, as quais teriam sido ''mero embate ideológico comigo''. ''Soou mal para a Câmara o que foi dito, mas espero que ele leia o relatório parcial, que já encaminhamos. No documento final, o prefeito vai ver que tem muito mais irregularidades no contrato que vão impedi-lo de dar reajuste às empresas, sob pena de responder adiministrativamente por isso, depois''.

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