Lúcio Horta
De Londrina
Os ataques que o prefeito Antonio Belinati (PFL) lançou anteontem contra o vereador Carlos Santa Rosa (PFL), dizendo que ele teria usado o cargo para exigir R$ 25 mil mensais para a Rádio Norte, de propriedade da família, foram considerados uma tentativa de chantagem do prefeito contra membros do Legislativo.
Em entrevista à Rádio Paiquerê AM, Belinati disse que Santa Rosa teria exigido o valor no ano passado, em reunião na prefeitura. Como a resposta foi negativa, o vereador hoje estaria decidido pela cassação de Belinati na Comissão Processante que apura irregularidades na publicidade do Pronto Atendimento Infantil (PAI). Santa Rosa é relator da CP e o prefeito adiantou que vai entrar com um pedido de suspeição do vereador.
‘‘Vejo que o Belinati está tentando fazer chantagem para evitar que vereadores possam julgá-lo. E, como a chantagem não funciona, ele tenta mostrar isso como extorsão’’, defendeu ontem o vereador Roberto Kanashiro (PSDB). Ele revelou que há muito tempo o vereador Santa Rosa estaria se queixando da dificuldade da Rádio Norte conseguir receber dívidas da prefeitura em anúncios institucionais – como alegou o pai do vereador, Sinésio Santa Rosa, que também participou da reunião com o prefeito. ‘‘É importante não deslocar o foco das atenções: o réu hoje é Belinati, não são os vereadores.’’
A vereadora Elza Correia (PMDB) também acredita em chantagem. Ela questiona, por exemplo, o motivo de o prefeito não ter revelado as acusações contra Santa Rosa no mesmo momento em que divulgou as fitas que incriminariam Orlando Bonilha (PDT), outro membro da CP que acabou renunciando ao cargo. ‘‘É uma estratégia que mostra mais uma faceta do prefeito: ser chantagista.’’
Integrantes da campanha ‘‘Pés Vermelhos, Mãos Limpas’’, que pede a apuração rigorosa das denúncias de corrupção em Londrina, tem a mesma avaliação. ‘‘Primeiro foi o Bonilha, agora o Santa Rosa, depois pode ser o Osvaldo Bergamin (PMDB, presidente da CP)’’, observou padre Manoel Joaquim, assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina. ‘‘Se as acusações tivessem sido feitas no ato, teriam legitimidade. Mas, ao que parece, é apenas revanche’’, completou.
Padre Manoel também entende que as acusações de Belinati fazem parte de uma estratégia para impedir os trabalhos da CP. ‘‘Mas eu já disse uma vez: o impacto dessas acusações fica cada vez mais diluído. Hoje não há motivo para interromper a investigação na Câmara.’’
O prefeito Antonio Belinati foi novamente procurado ontem para falar sobre o assunto, por meio da assessoria de imprensa, mas não foi localizado.

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