Os vereadores de Londrina criticaram ontem a postura do prefeito da cidade, Barbosa Neto (PDT), que procurou o Ministério Público (MP) para pedir providências em relação à votação do Plano Diretor na Câmara. Na reunião que fez na última segunda-feira com a promotora de Justiça do Meio Ambiente, Solange Vicentin, Barbosa argumentou sobre a necessidade de se manter o projeto de lei original, apenas com as modificações propostas pelo próprio Executivo. Para Barbosa, os vereadores não podem alterar os projetos enviados pela prefeitura, porque eles foram elaborados com base em conferências públicas.
O presidente da Câmara, Gerson Araújo (PSDB), disse que o prefeito não precisava ter recorrido ao MP. ''Eu sinceramente não sei a razão pela qual ele foi até o MP. Afinal de contas, o foro competente para discutir é a própria Câmara. Existem muitas emendas, algumas ótimas, e outras que realmente não são. Cabe a nós decidirmos quais passarão e quais não. Ele (Barbosa Neto) ainda tem o recurso do veto e tem o recurso posterior da Ação Direta de Inconstitucionalidade'', afirmou o tucano. A primeira votação do projeto de lei que trata do Plano Diretor estava prevista para começar ontem às 19 horas. Até o fechamento da edição, a discussão ainda não havia terminado.
O vereador Rony Alves (PTB) também fez duras críticas ao prefeito durante o grande expediente. Alves chegou a dizer que o Plano Diretor teria ''proposições vergonhosas'', e que se não fosse a intervenção da Câmara ''muitas delas não seriam corrigidas''. ''Eu vejo com muita estranhesa o fato do prefeito juntar alguns dos seus secretários para chorar no Ministério Público essa situação, quando ele se quer discutiu aqui com essa Casa. Uma das coisas que a gente quer discutir é porque apenas dois bairros serão definitivamente residenciais aqui em Londrina. Na lei de parcelamento dos solos, apenas dois bairros de Londrina serão residencias, um deles é onde o prefeito mora. Nos demais bairros, vai poder tudo'', afirmou Alves.
O vereador Roberto Fú (PDT) - que faz parte da bancada que apoia a administração - defendeu Barbosa e disse que o prefeito tem a prerrogativa de buscar ''ajuda'' onde achar necessário. ''O prefeito tem que se preocupar sim com as emendas. Nós temos emendas ao Plano Diretor que precisam ser repensadas, que são inconstitucionais'', defendeu. Foram apresentadas 97 emendas no total.
Gerson Araújo declarou que a atitude do Executivo não deveria interferir na votação. ''Eu tenho certeza que o MP não vai nem considerar essa solicitação do nosso prefeito. E se for o caso nós vamos até o MP mostrar o que nós estamos fazendo'', declarou. O presidente da Casa afirmou que a intenção era que as 97 emendas fossem analisadas ontem em primeira discussão. ''Trabalharemos todas as emendas, faremos a análise de cada uma. O importante é saber que a Câmara está cumprindo o seu papel'', afirmou.

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