A Câmara de Londrina aprovou ontem a criação de uma comissão para acompanhar a situação financeira da Sercomtel, que vem acumulando prejuízos ao longo dos últimos anos. Durante a discussão do requerimento de Jamil Janene (PP), os vereadores demonstraram preocupação com a intenção do município de aportar recursos públicos para a telefônica – por meio da doação de terrenos – sem a garantia de que isso será uma solução definitiva aos problemas financeiros frente ao mercado competitivo de telefonia celular.
"Qual empresário fica com uma empresa que não dá lucros há anos e, pelo contrário, ele ainda tem que investir recursos pesados para manter a empresa?", questionou Jamil ao defender a aprovação da comissão. "Talvez uma solução definitiva esteja no governo do Estado e creio que é neste sentido que a comissão deva trabalhar." O Estado é sócio da Sercomtel com 45% das ações ordinárias por meio da Copel.
Lenir de Assis (PT) se manifestou no mesmo sentido. "A Sercomtel está numa situação delicada há muito tempo. Mas, se hoje aprovamos um aporte quem garante que daqui dois, três anos a empresa não precisará novamente de recursos?".
A princípio a Sercomtel pediu R$ 47 milhões de recursos aos sócios. Depois de um enxugamento de despesas, o valor caiu para R$ 30 milhões, mas, sem recursos financeiros, o governo municipal estuda direcionar apenas R$ 8 milhões numa primeira etapa, doando terrenos à empresa. A Copel aportaria R$ 7 milhões na telefônica.
Os terrenos passíveis de serem doados ficam na Gleba Palhano, área nobre na zona sul de Londrina. Um deles, de 3.685 metros quadrados, está localizado na Rua João Huss e foi avaliado por uma comissão específica do município em R$ 3,172 milhões; o outro é uma área de 12.784 metros quadrados no loteamento Alphaville e teria valor de R$ 4,492 milhões. O próprio vereador Jamil Janene, que faz parte da comissão, acredita que os valores dos imóveis podem ser maiores. "Assinei o laudo de avaliação, mas defendo uma reavaliação", afirmou, sem explicar os motivos da desconfiança.
O presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), que deve se reunir hoje de manhã com o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para discutir exclusivamente os problemas da Sercomtel, discorda, a princípio, da doação de áreas públicas para a empresa. "Não vejo isso com bons olhos. Acho que precisa de uma discussão aprofundada. E o que garante que a doação desses terrenos vai resolver o problema?".
A líder do Executivo na Câmara, Elza Correia (PMDB), disse que nada está definido quanto à doação dos terrenos ou quanto ao aporte para Sercomtel. Qualquer das medidas precisa de autorização legislativa. "Não tem projeto pronto nem para doar terreno nem para o aporte. O prefeito garante que vai agir com transparência seja qual for a decisão a ser tomada e a Câmara vai necessariamente participar das discussões."
Os membros da nova comissão, que terá 120 dias para concluir os trabalhos, serão definidos na próxima semana.

mockup