Vereadores contestam Conselho de Leigos
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terça-feira, 24 de agosto de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Boa parte do grande expediente ontem na Câmara Municipal de Londrina foi utilizado para a manifestação contrária dos vereadores ao apoio que o Conselho de Leigos pretende dar a 10 candidatos católicos nas próximas eleições. O vice-tesoureiro do Conselho, Miguel Ramos, foi quem passou a notícia do apoio e declarou que quer utilizar o espaço físico da Igreja para reuniões e os encontros semanais dos diversos movimentos para a divulgação dos candidatos.
O vereador Paulo Arildo (PSDB) provocou o debate. ''Sou totalmente contrário a isso mesmo porque o próprio dom Albano já se manifestou contrário ao apoio do Conselho'', afirmou Arildo. Ele argumentou que a atitude faz distinção entre as pessoas, deixando de lado os candidatos a reeleição e outros tantos que concorrem pela primeira vez. ''Eles estão excluindo todos os 11 católicos da Câmara'', contabilizou.
O vereador se mostrou avesso também à doação que o Conselho quer pedir dos candidatos eleitos. ''É um abuso querer cobrar 10% do salário dos vereadores'', completou. Atuante na Igreja, Arildo disse que se viu excluído do processo. Ele ainda arrematou que a Igreja não pode ser partidária. Entretanto, amenizou: ''Não vejo nada de mau em ter um padre meu amigo que diz que vai votar em mim. Ele fala enquanto padre e não enquanto Igreja''.
Rubens Canizares (PHS) também desaprovou a medida do Conselho. Ele disse que sequer foi convidado para a reunião e coincidentemente ligou para Miguel Ramos para tirar uma dúvida de campanha e ficou sabendo que teria o encontro naquele dia. ''Está no Concílio Vaticano que cabe aos leigos a participação política, mas eles não podem restringir tanto que parece uma coisa direcionada'', alfinetou. Canizares reclamou que estaria se misturando politicagem com religião. ''Se for estabelecido que 10 serão os candidatos apoiados, será que os outros tantos não prestam? Os critérios têm pouco conteúdo'', criticou.
Para Canizares, a doação de 10% do salário não é reprovável. ''Se for para fazer escola de formação e divulgar trabalhos dos vereadores acho justo. Eu mesmo gasto mais que isso para divulgar meu nome'', apontou. O vereador Tercílio Turini (PSDB) considerou ''um equívoco'' a decisão do Conselho. ''Eles tinham uma proposta de acompanhar o trabalho dos vereadores, agora misturaram essa questão de política com a campanha. Parece um grande equívoco porque pode gerar uma polarização nas eleições entre católicos e evangélicos. Não podemos fazer esse tipo de distinção'', declarou Tercílio. Ele ainda enumerou que a maioria dos 311 candidatos a vereador são católicos. ''A sociedade é quem tem que definir essa bancada'', completou.


