Dois vereadores que integraram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Rolândia (Norte), formada para apurar supostas irregularidades em um contrato entre a prefeitura e um restaurante que fornecia marmitas para funcionários municipais, pretendem anular o relatório final, que prescreveu o arquivamento das investigações.
A comissão tinha até 2 de outubro para concluir os trabalhos, mas a relatora, Eneide Huss (PSDB), e o membro, José de Paula (PSD), solicitaram mais prazo, porque pretendem escrever um novo relatório prevendo a abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Johnny Lehmann (PTB) ou o encaminhamento ao Ministério Público (MP).
O relatório, assinado pelo presidente da CPI, Renato Sartori (PSB), e por Eneide, aponta como sugestão ao Executivo apenas que instaure uma sindicância para apurar ''o sistema operacional de requisição de marmitas'' e para averiguar eventuais irregularidades relatadas pela nova dona do restaurante, porém, ocorridas em 2012. A CPI investigou o contrato entre os anos de 2009 e 2011.
A relatora disse que não tinha experiência em CPI e acabou assinando o relatório porque Sartori teria lhe dito que o documento previa o encaminhamento das conclusões ao Ministério Público. Ainda segundo ela, o presidente teria lhe garantido que encaminharia o relatório para Zé de Paula assinar. ''Não diria que fui enganada por ele (Sartori). Mas acabei assinando o relatório confiando no que ele disse que estava escrito.''
O vereador do PSD afirmou que não foi comunicado sobre a conclusão do texto. ''O relatório foi assinado no escritório do advogado contratado pela Câmara para assessorar a CPI e deveria ter sido convocada uma reunião na Câmara, com ata'', argumentou. ''Acho que foi um ato de má fé do presidente para utilizar a notícia do arquivamento no horário eleitoral do prefeito.''
Sartori negou as acusações. ''A relatora chamou o vereador Zé de Paula para assinar o relatório, mas ele não compareceu. Não existiu qualquer interesse meu em impedir a presença dele e de beneficiar eleitoralmente qualquer pessoa. Quanto à vereadora, ela assinou o relatório.'' Ele disse que entende ser correta a decisão pelo arquivamento. ''Não houve qualquer crime e alguns erros formais serão apurados por um sindicância na prefeitura.'' A reportagem não conseguiu manter contato com Johnny Lehmann ontem. Ele disputa a reeleição.

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