Passados 85 dias de greve - completados ontem -, pela primeira vez foi ouvida na Câmara de Vereadores, em plenário, a possibilidade de processos administrativos contra o prefeito Nedson Micheleti (PT). O assunto surgiu entre o bloco de oposição, minoritário na Casa, e diante de suposta omissão do prefeito em negociar o fim da paralisação do funcionalismo. Desde que teve início o movimento, em 8 de agosto, o chefe do Executivo tem se recusado a negociar com a categoria por não ter à mão qualquer proposta salarial.
O assunto - nos termos de uma possível cassação - foi levantado por Roberto Fu (PDT), para quem a pressão das bases tem exigido ainda mais uma saída pelo fim da greve. ''Intervenção, afastamento, cassação: não tenho nada disso em mente ainda, mas somos cobrados todo dia ante uma paralisação que já é a mais longa de todos os municípios do Brasil. Com essa omissão do prefeito, há sim a possibilidade de pedirmos medidas judiciais'', destacou o pedetista, para completar: ''Estamos estudando isso com a assessoria jurídica da Casa, mas (a não resposta de) um pedido de informações é a prova que estaria faltando.''
Fu se referiu ao pedido de informações que tem até hoje às 19 horas para ser respondido. De autoria da vereadora Sandra Graça (sem partido), a medida pedia que o Executivo respondesse se havia nomeado a comissão permanente de negociação que constava do acordo que encerrou a greve do ano passado. Oficialmente, apenas do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv) cumpriu o acordo, há mais de sete meses. O pedido havia sido feito em setembro ao prefeito, mas, diante da resposta incompleta dada mês passado, um novo, complementar, foi apresentado por Sandra. Se não encaminhar as informações, Nedson pode responder por infração político-administrativa.
''A Câmara não pode mais ficar omissa a ponto de a responsabilidade por essa greve ficar nas nossas costas. Se o prefeito não responder, ou mesmo se não nomear essa comissão, estaria infringindo a Lei Orgânica do Município e o Estatuto do Servidor'', afirmou a vereadora. Segundo ela, não há, por ora, qualquer intenção de abertura de processo administrativo contra o petista. Disposição para tal, contudo, parece não faltar. ''Não tenho nenhum objetivo desses em mente, mas precisamos pressioná-lo a dar uma resposta, a dialogar. Antes, queremos esgotar as possibilidades - a pauta de reivindicações tem 28 itens, não é só a questão salarial'', sugeriu. Posição semelhante foi a de Marcelo Belinati (PP). ''Só prefeito pode pôr fim à greve'', discursou.
Líder do Executivo na Câmara, o vereador Lourival Germano conclamou os servidores a voltarem ao trabalho e não quis opinar sobre as recorrentes negativas de Nedson em sentar com a categoria para dialogar. ''Vejo essa posição dos colegas de plenário hoje (ontem) com tranquilidade; fazem uso da palavra como querem. Mas é fato que o Executivo nunca se furtou a lhes dar informações'', garantiu.
Nedson se manifestou apenas via assessoria. O pedido de Sandra, a exemplo de outros, será respondido, garantiu a assessoria. Já sobre processos administrativos, a assessoria resumiu: esse é um assunto restrito à Câmara.

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