''Não pense que foi fácil aprovar esse projeto'', disse o vereador Roberto Fu (PDT), ao defender-se das acusações à lei 10.326/2007. Ele lembrou que mais de uma vez teve de filmar a Avenida Abraham Lincoln, que corta os Conjuntos Cafezal 1, 2, 3 e 4 (Zona Sul), para provar aos colegas de Câmara que ''não fazia sentido ela ser residencial, uma vez que a via tem estrutura comercial''.
Fu alegou que muitos proprietários compraram terrenos na avenida antes do Plano Diretor de 1998, quando ela ainda estaria em zona comercial, e acabaram prejudicados. ''Ninguém me procurou para obter vantagens particulares. Muitos ali nem sabiam do meu projeto'', atestou.
Já o vereador Osvaldo Bergamin (PMDB) sustentou que o loteador beneficiado pelo projeto de lei de sua autoria acabou prestando ''uma ação social aos menos favorecidos'' através das contrapartidas previstas. Co-autor da mesma lei, Renato Araújo (PP), disse que não iria comentar o assunto e declarou que ''o Ceal não tem competência para julgar isso''. Flávio Vedoato (PSC) não foi localizado pela reportagem em seu gabinete e seu celular estava desligado na tarde de ontem.
À exceção de Roberto Fu, os outros três autores de leis contestadas pelo Ceal - Vedoato, Araújo e Bergamin - estão no grupo de vereadores denunciados pelo MP no último dia 16 por concussão e formação de quadrilha, junto com Orlando Bonilha (PR) e o ex-vereador Henrique Barros (sem partido). Eles são acusados de ter cobrado propina de três empresários da cidade para aprovar projetos na Câmara.

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