Por oito votos a um, a Câmara de Vereadores de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana) cassou o mandato do prefeito Pedro Wilson Papin (PSDB) acusado de cometer infrações político-administrativas. A sessão, que começou às 13 horas do dia 7 de maio e terminou às 5 da manhã do dia 8, foi embasada no relatório elaborado pela Comissão Processante (CP) aberta em 2 de junho de 2003, e que teve como presidente o vereador Celestino Alves Júnior (PMDB). O único vereador a votar contra foi Benedito Vieira (PTB).
O denunciante da CP foi o presidente municipal do PT, Ademir Prudêncio da Silva. Ele relatou ter tomado conhecimento que o prefeito estaria utilizando maquinário e funcionários da prefeitura para realizar obra asfáltica na Fazenda Alto Porã, de propriedade de Papin. Segundo Silva, ele e outras duas pessoas se dirigiram até o local com uma filmadora e registraram todo o trabalho, que começou no dia 27 de dezembro de 2001 e terminou em 21 de janeiro de 2002. ''Entramos em uma propriedade ao lado e fizemos a filmagem que constatou a irregularidade'', afirmou.
O vereador Cyro Fernandes Correia Júnior (PT) salientou que as estradas do município, que tem a agricultura como uma das principais atividades econômicas, estariam ''arrebentadas''. ''De repente, o prefeito estava fazendo asfalto na fazenda dele e o resto abandonado'', acusou. Cyro Correia Júnior denunciou ainda que quando Papin tomou conhecimento das denúncias em relação à obra, teria encaminhado um ofício para a prefeitura solicitando o serviço e empenhado o valor correspondente depois. ''O artigo 63 da Lei Orgânica diz que vereadores e prefeitos, após a posse, não podem contratar com a prefeitura nem com autarquias municipais'', expôs.
No relatório da CP, há uma cópia do ofício de Papin em que ele solicita, para ele mesmo, a utilização das máquinas. Consta também que em 23 de janeiro ele teria pago à prefeitura um total de R$ 1.550 referente ao trabalho das máquinas. Cyro Júnior informou que há uma ação civil pública contra Papin, em que ele ganhou em primeira instância mas o Ministério Público (MP) recorreu.
Em um dos depoimentos da CP, o chefe de serviço de pavimentação asfáltica, Laudelino Belarmino de Leão, explicou que ele e outros nove funcionários da prefeitura trabalharam na obra no período em que estavam de férias. Leão foi afastado do cargo pelo prefeito.
O vereador Benedito da Silva (PTB) justificou seu voto contrário à cassação. ''A razão é por ser ano político e há muitos interesses por trás. Nas provas que a gente viu, não consta nada que deu prejuízo ao município''. Ele observou que ''o prefeito errou ao utilizar as máquinas da prefeitura'' mas que acredita ''ser pouco'' para cassá-lo.

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