Vereadores aprovam reajuste de 94.5% nos salários
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quinta-feira, 27 de maio de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Os vereadores de Santo Antônio da Platina aprovaram ontem, em sessão extraordinária, um aumento que praticamente dobra os rendimentos da categoria para a próxima legislatura na cidade. Por 10 votos a um (dois vereadores faltaram), o salário de cada representante do Legislativo saltou de R$ 1.280 para R$ 2.490, o que vai representar um gasto de R$ 755 mil a mais para o município durante os quatro anos de mandato. Com quase 40 mil habitantes, a cidade possui 13 vereadores e, segundo o presidente da Câmara, Valdir Domingues de Souza (PDT), praticamente todos são candidatos à reeleição.
Souza justificou que o aumento já deveria ter sido autorizado em anos anteriores e que o salário estava defasado. ''Em cidade pequena o vereador faz muito assistencialismo. Se ele não fizer isso, não se reelege. É dessa forma que funciona a política'', declarou. Questionado se parte desse aumento seria utilizado para essa finalidade, o vereador assumiu: ''Lógico''. Ele justificou que ontem precisou comprar dois caixões para duas famílias carentes enterrarem seus mortos. ''Só aí foram R$ 260'', contabilizou. O vereador fez questão de frisar ainda que o salário dos vereadores da região estaria bem acima do deles. ''Jundiaí do Sul, que tem 2,5 mil habitantes, ganha R$ 1,2 mil (por vereador); Jacarezinho, que tem 900 habitantes a mais que nós, ganha R$ 3,1 mil'', disse.
O único a votar contra o aumento foi o vereador Sebastião Carlos Bianchi (PMDB). Ele elencou várias razões para a sua posição. ''Primeiro que esse salário está fora da realidade do local. Depois, ele foi votado em regime de urgência, o que não justifica, é um arrepio da lei'', salientou. Pré-candidato a prefeito, Bianchi denunciou que as sessões de votação do aumento estariam sendo marcadas em dias diferentes da rotina da Casa para evitar a participação da população, que costuma ir ao plenário. ''A nossa sessão é na segunda-feira e por conta de um jantar foi transferida para terça-feira e foi marcada uma extraordinária para quinta-feira'', informou.
Valdir Souza defendeu que não houve sessão na segunda-feira porque era ''dia da comarca''. Ele enfatizou que a sessão extraordinária de ontem foi marcada para a votação de outro projeto que prevê a instalação de uma empresa na cidade e que o projeto que autoriza o aumento dos salários teria sido ''colocado junto porque havia poucos projetos em pauta''. ''Esse vereador (Bianchi) está sozinho e acha que é o rei da cocada. Tem 12 vereadores contra um, quem será que está certo?'', questionou Souza.
Faltaram à sessão de ontem os vereadores Oswaldo Sanches (PDT), que votou favorável ao aumento na primeira sessão, e Paulo Fracisco Veiga de Freitas (PSL), que se absteve e afirmou que manteria sua posição. Freitas apontou que concorda com o aumento, mas não na proporção indicada. ''Para mim, o salário deveria ir para R$ 1,8 mil. Eu também não concordo que ele seja votado em sessão extraordinária porque não é de interesse público'', resumiu. O projeto teve a assinatura de 12 vereadores.


