Vereadores aprovam extinção de salários
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quarta-feira, 16 de junho de 2004
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O vereadores que assumirem a Câmara Municipal na próxima legislatura (2005-2008) poderão não receber a remuneração mensal, que hoje é de R$ 816. Por quatro votos favoráveis e dois contrários, os atuais vereadores aprovaram terça-feira, em primeira discussão, o projeto de lei que extingue o salário dos edis a partir de janeiro. Se aprovado o projeto em segunda discussão, no dia 22, Uraí será o primeiro município paranaense a adotar o voluntariado para o cargo.
O projeto, de autoria do vereador Astrogildo Ribeiro da Silva (PDT) e que tem a assinatura de outros cinco colegas prevê que o município, de 11 mil habitantes, economizará cerca de R$ 600 mil, entre salários e encargos, nos quatro anos de mandato.
''Nosso município está em uma situação financeira caótica. As ruas estão em estado de conservação deplorável, a situação dos funcionários municipais é penosa. Existia uma corrente de vereadores que queria elevar o salário para R$ 1,4 mil e, com encargos, cada vereador custaria cada custaria R$ 1,8 mil por mês'', disse Silva. ''A gente quer um compromisso que o próximo prefeito assuma que o subsídio dos vereadores seja aproveitado pirncipalmente na área de saúde'', complementou.
Na avaliação de Silva, mesmo sem remuneração, a cidade terá dezenas de candidatos ao cargo nestas eleições. ''Na última eleição, tivemos 110 candidatos. Creio que haverá uma queda em torno de 50%, mesmo assim, teremos 50, 60 candidatos. Tem muita gente que realmente gosta do município e quer contribuir. Hoje, dos vereadores de Uraí, oito são pessoas bem sucedidas, que não dependem da câmara. Hoje já seria natural que o subsídio não existisse que não interferiria'', afirmou.
Segundo o vereador, os outros cinco vereadores que assinam o projeto se comprometeram a votar favoravelmente a matéria, garantindo a aprovação no segundo turno. ''Isso seria perfeitamente aplicado em cidades de pequeno porte. Já nas médias e grandes ficaria difícil.''
O presidente em exercício da União dos Vereadores do Paraná (Uvepar), Paulo Salamuni (PMDB), demonstrou preocupação com a extinção dos salários. ''A minha preocupação não é pela questão de quanto é o salário ou não. Dependendo da forma como for extinto pode ser um problema ao contário. Pode elitizar ou obrigar que o parlamentar acabe fazendo o tráfico de influência para compensar. No Senado por exemplo, o Antonio Carlos Magalhães necessita de um salário mensal, está preocupado com o holerite dele? O que menos tem lá (Senado) é dono de emissoras, empresas. Estão lá pela possibilidade de legislar. As pessoas devem receber pelo seu trabalho, parto desse pressuposto.''


