Vereadores apontam supostos maus tratos a Gouvêa
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina, promotor Cláudio Esteves, encaminhou ontem ao diretor-geral do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR), major Raul Leão Vidal, solicitação para que o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) preso na unidade há exatas duas semanas seja submetido a exames médicos que atestem ou não supostos maus tratos sofridos na unidade prisional pelo parlamentar. A denúncia partiu do pai da namorada de Gouvêa e foi comunicada na quinta passada à juíza da 4ª Vara Criminal, Carla Pedalino, por dois vereadores: o corregedor, Rony Alves (PTB), e o presidente da Comissão de Justiça da Casa, Joel Garcia (PDT). O teor da denúncia foi apresentado ontem à tarde a Esteves em depoimento prestado pelo corregedor, que, pouco antes de deixar a sede do Ministério Público (MP), apresentou uma versão totalmente diversa daquela exposta ao promotor: Me chamaram para saber se tínhamos pela Corregedoria algum fato diferente a respeito da investigação de suposta cobrança de propina contra o empresário Maurício Costa, disse Alves. Não foi depoimento.
Na coletiva, o corregedor ainda citou que, na última sexta, três parlamentares Joel, Renato Lemes (PRB) e Gerson Araújo (PSDB) visitaram Gouvêa no CDR. Já no que o coordenador do Gaeco chamou de depoimento prestado por Alves, contudo, o vereador foi além: citou também o episódio da véspera em que ele e o pedetista se reuniram com uma promotora substituta e a juíza da 4ª Criminal a fim de levar a denúncia apresentada pelo pai da namorada de Gouvêa.
No depoimento, ao qual a FOLHA teve acesso, Alves apontou que o sogro de Gouvêa, de nome Valdir, o teria procurado relatando que o parlamentar estaria recebendo, na unidade, xingamentos e ofensas morais, tais como vereador ladrão. Em outro ponto, destacou que ouvira de Valdir, ainda, que Gouvêa estava sendo despertado de madrugada para ser revistado, ocasião em que mandava que retirassem sua roupa com o fim de verificar se ele portava drogas ou celular. O sogro do vereador teria pedido a Alves que usasse da força de se cargo de corregedor e vereador para falar com a juíza a fim de pedir alguma providência a respeito. A magistrada teria orientado Joel e Alves a formalizarem a denúncia, o que não foi feito.
Ontem, o Gaeco recebeu da 4ª Vara pedido de providências a respeito do caso. A juíza analisa ainda pedido de remoção do vereador para tratamento em uma clínica psiquiátrica, uma vez que, segundo a defesa e também os colegas que o visitaram, ele apresentaria sintomas de depressão.
Como é nossa a incumbência de apurar e denunciar eventual crime de tortura em unidade prisional, expedimos ao CDR que se façam esses exames. Se o laudo apontar algo nesse sentido, vamos aprofundar a investigação, declarou o coordenador do Gaeco. Se o cooregedor da Câmara tratou das investigações de suposta cobrança de propina? Não, mesmo porque nosso papel sobre isso já está feito, negou Esteves, referindo-se às duas ações impetradas no caso.
Um dos advogados de Gouvêa em Londrina, Nilton Simões, confirmou o pedido de remoção do cliente para a Clínica das Palmeiras, mas disse desconhecer eventuais maus tratos. Ele está depressivo desde que foi negada a soltura duas vezes (em primeira e segunda instâncias). Há ainda laudos psiquiátricos do próprio CDR atestando esse quadro, comentou o advogado, que frisou: A transferência dele para a clínica é como preso, com o internamento pago pelo plano de saúde dele, mas com escolta policial. Assim que o médico der outro laudo, ele volta ao CDR e é interesse meu instruir o processo com ele preso para preservar a prova e a integridade processual, concluiu.


